Nacional | 15-10-2026 11:29

Medicamentos para emagrecer são eficazes mas podem provocar perda de músculo e carências nutricionais

FOTO ILUSTRATIVA – FOTO DR

Endocrinologista Isabel do Carmo defende que os medicamentos para combater a obesidade devem ser comparticipados pelo Estado, mas alerta para os riscos associados ao emagrecimento rápido, nomeadamente a perda de massa muscular, as carências nutricionais e o agravamento de perturbações alimentares.

Os medicamentos para combater a obesidade estão a revolucionar os tratamentos de emagrecimento, mas a sua utilização exige cuidados que vão muito além dos números apresentados na balança. O alerta é da endocrinologista Isabel do Carmo, que reconhece a eficácia dos novos fármacos injectáveis, como o Ozempic, Wegovy e Mounjaro, mas chama a atenção para os efeitos que a redução acentuada do apetite pode provocar no organismo.
Autora do livro “Tratamento para emagrecer – Do Neolítico à nova era das injeções”, a especialista explica que a diminuição da ingestão alimentar pode provocar défices de vitaminas e minerais, originando fadiga, queda de cabelo, fragilidade da pele e perda de força muscular. O emagrecimento rápido pode ainda traduzir-se numa redução significativa da massa muscular e óssea, pelo que defende que os resultados dos tratamentos devem ser avaliados também pela composição corporal e pelo estado nutricional dos doentes.
Outra preocupação prende-se com o risco de agravamento de perturbações alimentares, como a anorexia e a ortorexia, caracterizada por uma preocupação obsessiva com a alimentação saudável. Isabel do Carmo alerta ainda para a possibilidade de a tirzepatida, comercializada como Mounjaro, reduzir a eficácia dos contraceptivos orais, exigindo aconselhamento médico sobre métodos alternativos ou adicionais.
Apesar dos riscos, a endocrinologista considera que estes medicamentos representam um avanço importante no combate à obesidade e defende a sua comparticipação sempre que esteja em causa a saúde física ou psicológica dos doentes. Os preços, que nas doses mais baixas podem variar entre 130 e 180 euros, constituem uma barreira para muitas famílias e podem agravar as desigualdades no acesso aos tratamentos.
Isabel do Carmo recorda que a Organização Mundial da Saúde reconhece a importância destes medicamentos e defende o seu acesso generalizado. Sublinha, contudo, que continuam a ser necessários estudos sobre os efeitos a médio e longo prazo, insistindo que o combate à obesidade não pode ser reduzido à simples perda de peso.

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