Nacional | 16-10-2026 12:38

Falhas informáticas e falta de material básico afectam maioria dos centros de saúde

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foto ilustrativa

Mais de 91% das Unidades de Saúde Familiar registaram pelo menos três falhas informáticas no último ano e oito em cada dez tiveram falta de material essencial. Problemas comprometem a qualidade dos cuidados prestados aos utentes e colocam em risco a segurança clínica.

As falhas informáticas e a falta de material básico continuam a perturbar o funcionamento dos centros de saúde em Portugal. Um estudo da Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar (USF-AN), divulgado esta sexta-feira, 16 de Outubro, revela que 91,1% das unidades registaram três ou mais interrupções nos sistemas informáticos durante o último ano. Em 15,7% dos casos, as falhas ocorreram mais de 50 vezes e houve unidades que ficaram mais de um dia sem acesso às aplicações.
O relatório, que reúne respostas de 541 coordenadores de Unidades de Saúde Familiar (USF), revela ainda que 98,7% consideram que estas falhas prejudicam a qualidade dos cuidados prestados. O presidente da USF-AN, André Biscaia, alerta que a situação representa um risco para utentes e profissionais. “Uma falha informática não é só uma falha informática, é também uma situação de risco clínico para o utente e um risco para o profissional”, afirma.
A falta de material básico é outro problema identificado. Cerca de 82,6% das unidades registaram rupturas de abastecimento de produtos essenciais, como material para pensos, medicamentos e vacinas. Em quase sete em cada dez situações, a reposição demorou pelo menos 48 horas.
Também a plataforma eVacinas está a gerar dificuldades, numa altura em que decorre a campanha de vacinação contra a gripe. Segundo André Biscaia, a lentidão e as interrupções do sistema dificultam o trabalho dos enfermeiros e o acesso ao historial de vacinação dos utentes. A satisfação com a aplicação caiu de 61,9% para 43,7%, a maior descida registada desde o início da avaliação.
O estudo, intitulado “O Momento Atual da Reforma dos Cuidados de Saúde Primários em Portugal 2025/2026”, é apresentado no 17.º Encontro Nacional das USF, em Gondomar.

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