Presidente da República exige explicações ao Governo sobre cargas policiais nas acampadas pela habitação
António José Seguro pediu esclarecimentos detalhados sobre as operações policiais realizadas durante esta madrugada em Lisboa e no Porto, nomeadamente sobre os manifestantes detidos e os feridos. Um repórter de imagem foi agredido pela Polícia.
O Presidente da República solicitou ao Governo e à Provedoria de Justiça informações «com todo o detalhe» sobre as operações policiais realizadas durante a madrugada deste domingo nas acampadas pelo direito à habitação, em Lisboa e no Porto. Segundo uma fonte oficial da Presidência da República disse à Lusa, o chefe de Estado pretende esclarecimentos sobre o que aconteceu nas duas cidades, bem como sobre a situação dos manifestantes detidos e de todas as pessoas feridas durante as intervenções.
O pedido de informações tem também em conta o acompanhamento realizado pelo Mecanismo Nacional de Prevenção. As operações da PSP decorreram praticamente em simultâneo, pelas 04h30, quando o Corpo de Intervenção avançou sobre os acampamentos instalados na Praça D. Pedro IV, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, com o objectivo de desmobilizar os manifestantes e retirar as tendas. Em Lisboa, os manifestantes formaram inicialmente um cordão humano para tentar impedir o avanço policial. A PSP recorreu a bastonadas e petardos, dispersando os participantes pelos vários acessos ao Rossio. Em poucos minutos a praça ficou praticamente vazia.
No Porto, a polícia avançou sobre o acampamento recorrendo a bastões e cães. Os manifestantes resistiram à intervenção, gritando que a sua acção era pacífica, tendo sido empurrados até à Rua Dr. Magalhães Lemos. As estruturas e tendas instaladas na Praça D. João I foram retiradas. O porta-voz da Acampada de Lisboa pelo Direito à Habitação contabilizou pelo menos dez manifestantes detidos e seis feridos na sequência da intervenção policial no Rossio. No Porto, sete detidos foram transportados para a esquadra da PSP onde dezenas de pessoas se concentraram posteriormente numa vigília de solidariedade.
A intervenção policial ficou ainda marcada pela agressão a um repórter de imagem da CMTV, atingido à bastonada por elementos da PSP durante a operação na Praça D. João I. Segundo um balanço preliminar divulgado pela organização a intervenção no Porto provocou 38 feridos, três dos quais em estado grave. Por sua vez o porta-voz da PSP, Sérgio Soares, confirmou a detenção de 13 manifestantes e indicou que 13 polícias ficaram feridos, todos no Porto. Entre os agentes feridos encontram-se dez elementos do Corpo de Intervenção e três polícias pertencentes a uma unidade à civil.
O Presidente da República aguarda agora os esclarecimentos solicitados às entidades competentes sobre as circunstâncias das operações e o tratamento dado aos detidos e feridos.


