Nacional | 01-11-2026 09:48

Presidente da República exige explicações ao Governo sobre cargas policiais nas acampadas pela habitação

Presidente da República exige explicações ao Governo sobre cargas policiais nas acampadas pela habitação

António José Seguro pediu esclarecimentos detalhados sobre as operações policiais realizadas durante esta madrugada em Lisboa e no Porto, nomeadamente sobre os manifestantes detidos e os feridos. Um repórter de imagem foi agredido pela Polícia.

O Presidente da República solicitou ao Governo e à Provedoria de Justiça informações «com todo o detalhe» sobre as operações policiais realizadas durante a madrugada deste domingo nas acampadas pelo direito à habitação, em Lisboa e no Porto. Segundo uma fonte oficial da Presidência da República disse à Lusa, o chefe de Estado pretende esclarecimentos sobre o que aconteceu nas duas cidades, bem como sobre a situação dos manifestantes detidos e de todas as pessoas feridas durante as intervenções.
O pedido de informações tem também em conta o acompanhamento realizado pelo Mecanismo Nacional de Prevenção. As operações da PSP decorreram praticamente em simultâneo, pelas 04h30, quando o Corpo de Intervenção avançou sobre os acampamentos instalados na Praça D. Pedro IV, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, com o objectivo de desmobilizar os manifestantes e retirar as tendas. Em Lisboa, os manifestantes formaram inicialmente um cordão humano para tentar impedir o avanço policial. A PSP recorreu a bastonadas e petardos, dispersando os participantes pelos vários acessos ao Rossio. Em poucos minutos a praça ficou praticamente vazia.
No Porto, a polícia avançou sobre o acampamento recorrendo a bastões e cães. Os manifestantes resistiram à intervenção, gritando que a sua acção era pacífica, tendo sido empurrados até à Rua Dr. Magalhães Lemos. As estruturas e tendas instaladas na Praça D. João I foram retiradas. O porta-voz da Acampada de Lisboa pelo Direito à Habitação contabilizou pelo menos dez manifestantes detidos e seis feridos na sequência da intervenção policial no Rossio. No Porto, sete detidos foram transportados para a esquadra da PSP onde dezenas de pessoas se concentraram posteriormente numa vigília de solidariedade.
A intervenção policial ficou ainda marcada pela agressão a um repórter de imagem da CMTV, atingido à bastonada por elementos da PSP durante a operação na Praça D. João I. Segundo um balanço preliminar divulgado pela organização a intervenção no Porto provocou 38 feridos, três dos quais em estado grave. Por sua vez o porta-voz da PSP, Sérgio Soares, confirmou a detenção de 13 manifestantes e indicou que 13 polícias ficaram feridos, todos no Porto. Entre os agentes feridos encontram-se dez elementos do Corpo de Intervenção e três polícias pertencentes a uma unidade à civil.
O Presidente da República aguarda agora os esclarecimentos solicitados às entidades competentes sobre as circunstâncias das operações e o tratamento dado aos detidos e feridos.

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