Nacional | 06-11-2026 11:22
Integração de cuidados de saúde estagnou nas unidades locais de saúde
Foto ilustrativa
A integração entre hospitais e centros de saúde não registou melhorias no último ano, mantendo-se nos 3,29 pontos numa escala de zero a cinco, segundo um barómetro da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares.
A integração dos cuidados prestados aos utentes entre os centros de saúde e os hospitais estagnou no último ano, depois de terem sido criadas, no início de 2024, as unidades locais de saúde (ULS) em todo o país.
Esta é a principal conclusão do barómetro que avaliou a percepção dos profissionais das 39 ULS sobre o grau de integração dos cuidados de saúde. O estudo é uma iniciativa da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), que contou com o apoio de várias entidades, e será apresentado numa conferência que começa hoje, em Fátima.
«Há uma estagnação dos resultados que obviamente nos deve preocupar. Esperar-se-ia uma melhoria do nível da integração» entre os cuidados de saúde primários e hospitalares, adiantou à Lusa o presidente da APAH, Xavier Barreto.
No início de 2024, no âmbito da reforma da organização do Serviço Nacional de Saúde (SNS), foram criadas 31 ULS, que se juntaram às oito já existentes. A medida integrou os centros de saúde e os hospitais numa única entidade por área geográfica, com o objectivo de facilitar o percurso dos utentes no sistema de saúde.
Cerca de três anos após esta alteração na organização do SNS, a terceira edição do barómetro indica que, numa escala de zero a cinco, os profissionais de saúde avaliaram a integração global de cuidados nas ULS com 3,29 pontos. Trata-se de uma média «moderadamente positiva», mas igual à registada no ano anterior.
De acordo com o estudo, que avalia seis dimensões — normativa, informativa, clínica, sistémica, administrativa e financeira —, as ULS que já existiam antes de 2024 apresentam uma percepção mais positiva do processo de integração, com uma classificação de 3,42 pontos.
Este resultado confirma a ideia de que «é preciso algum tempo para que este movimento de integração aconteça no terreno», salientou Xavier Barreto. O responsável considera que, para além dos normativos já em vigor, é necessária uma maior integração da componente clínica.
«É preciso que as duas partes falem mais, acordem sobre como é que devem ser tratados, diagnosticados e acompanhados os nossos doentes. Isso, de facto, não está a acontecer, pelo menos na medida que nós gostaríamos que estivesse», alertou o presidente da associação.
Das seis dimensões avaliadas no barómetro, a clínica surge em terceiro lugar, com 3,22 pontos, uma ligeira descida face aos 3,24 registados no estudo anterior.
Para melhorar o percurso clínico dos utentes entre os dois níveis de cuidados, Xavier Barreto defendeu a necessidade de reunir profissionais de saúde de várias áreas dos cuidados hospitalares e primários, mas também representantes de entidades como farmácias e autarquias.
«Esta discussão, aquilo a que chamamos de percurso clínico assistencial, está por fazer na maior parte das patologias e na maior parte das ULS», realçou o presidente da APAH, que atribui esta situação, em parte, à falta de disponibilidade dos gestores e dos responsáveis clínicos das unidades de saúde.
«Há pouco tempo porque estamos sempre a responder a urgências, aos fogos que têm de ser apagados, às urgências que têm escalas incompletas e, portanto, esta situação também prejudica este movimento de integração» dos cuidados, lamentou.
A dimensão financeira obteve a pior avaliação do barómetro, com 2,90 pontos. O estudo conclui ser «evidente a discórdia sobre temas relacionados com a remuneração e incentivos».
Xavier Barreto explica esta divergência com as diferenças na atribuição de incentivos entre hospitais e centros de saúde, considerando que essa desigualdade «não faz sentido».
«As pessoas queixam-se de que não existem incentivos uniformizados entre as diferentes partes das ULS, particularmente entre os hospitais e os centros de saúde. Eu acho que se queixam com razão», reconheceu o presidente da APAH.
Com este estudo, a associação pretende «medir o pulso» aos resultados da reforma que criou as ULS e «perceber o que está a acontecer no terreno». Xavier Barreto espera que, na sequência desta discussão, o Governo possa implementar medidas para melhorar a integração dos cuidados de saúde.
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