A Palavra dos Leitores | 29-03-2022 06:59

10 e 11 de março: Parabéns!

FOTO DR

Quem não viu os espectáculos dos dias 10 e 11 de Março, no cineteatro, a propósito das Comemorações dos 50 anos do Liceu Nacional de Tomar nunca vai saber o que perdeu!

Quem não viu os espectáculos dos dias 10 e 11 de Março, no cineteatro, a propósito das Comemorações dos 50 anos do Liceu Nacional de Tomar nunca vai saber o que perdeu! Escusam de pensar que se põem ao corrente vendo nas redes sociais porque a presença física neste testemunho é insubstituível.
Um ex-aluno, e um dos intérpretes participantes, escreveu: «Foi muito bom tocar no cineteatro, rever pessoas e participar num espectáculo muitíssimo bem organizado, parabéns!! Há muito talento em Tomar que tem em comum o facto de pertencer à família Liceu».
Estes espectáculos conseguiram ir mais além. Não foram apenas uma efeméride, uma reunião de ex-alunos (uns mais recentes do que outros), actuais alunos, professores, funcionários… enfim, uma “revisão da matéria dada”. Estes espectáculos avançaram para nova matéria, juntaram em palco escolas, associações, grupos que existem, grupos que já não existem, gerações de famílias, participantes individuais… e criaram uma festa, sem dúvida, mas criaram, sobretudo, uma memória cultural e isso é um momento raro!
Confunde-se, frequentemente, cultura com animação/entretenimento e há uma diferença profunda entre eles. A animação/entretenimento é uma actividade que pode ser óptima e necessária, mas é por si uma actividade distrativa, não exige foco nem reflexão. Daí ser tão “simples” fazer actividades, festas, festivais e dias de tudo e mais alguma coisa.
O que se passou no cine-teatro naqueles dois dias foi uma criação e demonstração de cultura e, já agora, com um nível de qualidade que nos faz questionar como é que numa população relativamente pouco numerosa, como é a de Tomar, existe uma percentagem de população artística tão grande em número e em qualidade? O que nos poderia levar à pergunta seguinte: Então, porque é que a actividade cultural é escassa?
É sempre bom reflectirmos nestes tempos difíceis. Talvez esteja na altura de lutarmos pela sobrevivência da Cultura. Pelo sim, pelo não, aqui fica o conselho da Rainha de Copas (personagem da «Alice no País das Maravilhas», de Lewis Carroll): Corre o mais que puderes se queres ficar no mesmo sítio.
A directora do Agrupamento de Escolas Nuno de Santa Maria – Tomar
Maria Celeste Sousa

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