O MIRANTE dos Leitores | 29-12-2022 21:07

Não está tudo bem em Portugal

Não está tudo bem em Portugal

As famílias portuguesas precisam de apoio todos os dias do ano, e não somente de um auxílio pontual. Seria tão mais fácil e justo extinguir o IVA dos bens essenciais, e baixar o imposto noutros artigos de consumo.

Um novo ano aproxima-se e, com ele, os tão almejados desejos de mudança, a cada uva-passa que se belisca e a cada trago de champanhe, ao som do estalar do fogo-de-artifício e das badaladas que anunciam o alvorecer de um novo ano.

E este seria, sem dúvida, um cenário de perfeição que tantos de nós gostaríamos que se repetisse, ano após ano… Mas não! Em Portugal estamos longe de atingir a perfeição. Aos anos, somam-se décadas, e nada de realmente novo surge, que dê sinais de efetiva mudança.

Ao caminharmos na rua, verificamos todo um cenário urbano, em que imperam várias barreiras artitetónicas: autênticos desafios para todos aqueles cuja mobilidade é reduzida. Os novos edifícios que se erguem, pautam-se pelo mesmo princípio, e poucos são os que se constroem a pensar em quem se movimenta em cadeiras de rodas, ou através do apoio de umas canadianas que, por um percalço da vida, estarão a ser momentaneamente utilizadas.

As tensões contra as ideologias e tomadas de posição políticas, de quem tem nas mãos o leme de Portugal, crescem e adquirem várias vozes, de Norte a Sul do nosso país. O descontentamento generalizado é resultado da preocupação, muito legítima, com o custo de vida e as parcas condições em que se vive num país que é, supostamente, um país desenvolvido.

Os apoios concedidos pelo governo, além de insuficientes, não são constantes. As famílias portuguesas precisam de apoio todos os dias do ano, e não somente de um auxílio pontual. Seria tão mais fácil e justo extinguir o IVA dos bens essenciais, e baixar esse mesmo imposto noutros artigos de consumo. Os cheques concedidos, além de não chegarem a todos, não foram entregues a todos os que deles necessitam: há famílias a viver no limiar da pobreza, e que o encobrem, porque se há algo de que o ser humano é dotado, é de dignidade e, na maioria das vezes, a honra e a vergonha, até, faz com que se ocultem certas situações… Terá sido o caso de tantos os que perderam as suas habitações, devido à escalonada dos preços, à subida das taxas de juros e, até, a situações de desemprego. Lembremo-nos, também, dos sem-abrigo, tão comumente esquecidos pela nossa sociedade… sem contas bancárias, como terão sido apoiados?

Há quem não consiga pagar a medicação, e a alimentação, com a parca/mísera pensão que aufere, ao fim de tantos anos de trabalho, enquanto outros há, que se banqueteiam nas pastelarias, no dia em que os subsídios afloram nas contas, ou num cheque bancário.

E tudo isto causa desconforto ao pacífico e nobre povo português que, pacientemente, substitui o champanhe por vinho espumante, por ser aquele que alguns bolsos ainda conseguem pagar.

Todas estas matérias poderiam, e deveriam, ser bem analisadas de modo a dar uma resposta eficaz às reais necessidades de Portugal, e de todos os que nele habitam. Quem sabe, talvez se iniciasse uma caminhada em direção a um melhor nível de vida, para TODOS os portugueses…

Um novo ano está a chegar e, apesar do que nos dizem, NÃO está tudo bem em Portugal!

Esperemos que 2023 concretize as nossas esperanças e expectativas, e que não seja tão duro, como estamos a antever. Só depende de quem nos governa suster-nos, realmente, e não nos deixar cair, promovendo políticas que nos dêem segurança e nos permitam viver, ao invés de apenas sobreviver, o que também já está a ser difícil! Eu gostava muito…

Júlia Bernardino

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