O MIRANTE dos Leitores | 28-04-2023 12:00

Fazer acções de formação onde não se aprende nada só para dizer que se fazem

Nos primeiros anos da adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia houve falcatruas a rodos.

Nos primeiros anos da adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia houve falcatruas a rodos e para todos os gostos com as verbas para acções de formação, muitas das quais nem sequer eram feitas.
A formação foi praticamente nula, mas o dinheiro serviu para a renovação acelerada da nossa frota automóvel. Naquela altura havia mais empresas de formação que ervas nos passeios e mais carros topo de gama que grãos de areia na praia da Nazaré. E qualquer um podia ser formador e receber como tal, desde que tivesse o ensino básico.
A fiscalização apertou um pouco e o dinheiro deixou de vir em enxurrada, mas criaram-se novos sistemas para que o país não deixasse de apoiar quem precisa de ganhar a vida e comprar carro novo e casa e ir de férias para sítios da moda.
A formação passou a ser obrigatória, até para atravessar a rua ou limpar o rabo após uma ida à casa-de-banho e uma chusma de novos formadores, com licenciaturas tiradas à pressão e à distância, estão agora a dar novos cursos a exércitos de desempregados de longa duração, beneficiários eternos do rendimento mínimo e pessoas genuinamente interessadas em obter formação.
Estas últimas rapidamente percebem que ali não aprendem nada porque os monitores nem para eles sabem, mas não se vão embora porque precisam de bolsa e do certificado. E, entretanto, políticos de boa vontade criam leis para obrigar os empresários e o Estado a dar empregos com contrato sem termo e sem período de experiência a quem nada sabe fazer, nem nunca saberá, por muitos diplomas que tenha.
Rui Ricardo

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