O MIRANTE dos Leitores | 29-03-2024 12:38

Ensino: inclusão ou exclusão?

Júlia Bernardino

Para haver inclusão, tem de haver um esforço por parte de todos os que coabitam numa mesma sociedade democrática, como é a nossa. Não pode haver diferenças abismais entre pessoas de diferentes raças e culturas, sejam elas provocadas por ideologias religiosas ou políticas.

As escolas e o ensino em Portugal continuam a muito dar que falar: é toda uma classe docente, e também a não docente, que se uniram e reivindicam melhores condições de trabalho, desde o tempo de serviço efetivamente prestado, mas não contabilizado, a sobrecarga de horários e as condições físicas de escolas, que de norte a sul do país se degradam dia após dia, onde em muitas o amianto ainda é um perigo público, as salas húmidas e bolorentas e os pavilhões desportivos que se equiparam a autênticas “piscinas olímpicas”! Estas últimas são palavras não minhas, mas de um aluno de uma escola do distrito de Lisboa, numa entrevista para um dos canais televisivos portugueses. Sapientes estamos, há muito, da verdade contida nas palavras deste adolescente, pois este será também o relato que muitos pais ouvem quando ao fim do dia se sentam para jantar, nos dias em que a chuva assola o país e teme em não dar tréguas.

Não é este, contudo, o tema que quero abordar, ainda que muito haja para escrever sobre o mesmo dizer e argumentar. Não! Preocupa-me a inclusão de crianças e adolescentes nas escolas, e a forma como esta está a ser trabalhada.

Todos sabemos que as escolas pretendem ser, hoje mais do que nunca, um “Melting Pot”, uma miscelânea de raças e culturas que se fundem e assimilam, num universo em que o ser humano é já um cidadão do mundo.

Na minha opinião, as escolas, locais de aprendizagem e de liberdade de expressão, pensamento e argumentação, por excelência, devem ser o palco de atuação dos direitos humanos, nomeadamente, da igualdade entre todos.

Para haver inclusão, tem de haver um esforço por parte de todos os que coabitam numa mesma sociedade democrática, como é a nossa. Não pode haver diferenças abismais entre pessoas de diferentes raças e culturas, sejam elas provocadas por ideologias religiosas ou políticas. Não deve existir um abismo entre as várias culturas que se misturam em Portugal. Tem de haver, isso sim, uma preparação que deve, no meu ponto de vista, ser promovida pelos nossos governantes. A título de exemplo, devem ser criadas condições nas escolas para a aprendizagem de uma nova língua, da língua portuguesa, com a qual os recém-chegados contactam pela primeira vez. São tantos os jovens que são “despejados” em turmas, a frequentarem as disciplinas dos currículos, mas sem nada compreenderem, graças à barreira linguística…

Certamente, já era tempo da tutela reformular e repensar disciplinas e turmas, atendendo às necessidades dos jovens do mundo que, cada vez mais, ingressam nas escolas portuguesas.

E tudo o aqui escrevo é urgente que aconteça, para que a tão almejada inclusão deixe de ser o que tem sido até agora: nada mais do que exclusão.

Júlia Bernardino

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