COP30 no Brasil na sua trigésima edição
A ausência mais notável foi a dos Estados Unidos, responsável por grande parte da emissão de gases de efeito estufa. Esta ausência, e a de outros líderes da esfera política mundial, só comprova que o Planeta Azul continuará em risco, enquanto os interesses económicos de um país e as suas políticas priorizarem a indústria de combustíveis fósseis, em detrimento do bem-estar coletivo.
A trigésima Conferência das Partes (COP30) que decorreu no Brasil entre os dias 10 e 21 de novembro, é o encontro internacional anual que envolve todos os países-membros que assinaram um Tratado destinado a avaliar e discutir ações sobre as mudanças climáticas, como forma de enfrentar o aquecimento global, que se tem vindo a acentuar no nosso planeta. Nestas conferências, que são autênticos fóruns para negociações internacionais, avalia-se o progresso da implementação da “Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima”, definem-se metas e estratégias de redução de emissões de gases de efeito de estufa, decide-se o financiamento climático e a promoção de políticas ambientais sustentáveis, de modo a mitigar as consequências do aquecimento global e ajustar e adaptar a sociedade, e a economia ao novo desafio que a nossa Terra-mãe enfrenta.
Tendo a primeira COP ocorrido logo após a criação da UNFCCC, assinada durante a Eco-92, no Rio de Janeiro, é interessante verificar que, três décadas depois, a cimeira volta a acontecer no Brasil e tem por palco a cidade de Belém, considerada a porta de entrada para a Amazónia, reforçando-se, desta feita, a importância das florestas e assumindo o seu protagonismo nas agendas ambientais dos grandes líderes que representam nações de todo o mundo. A ausência mais notável foi a dos Estados Unidos, responsável por grande parte da emissão de gases de efeito estufa. Esta ausência, e a de outros líderes da esfera política mundial, só comprova que o Planeta Azul continuará em risco, enquanto os interesses económicos de um país e as suas políticas priorizarem a indústria de combustíveis fósseis, em detrimento do bem-estar coletivo.
30 anos decorridos, à luz de metas claramente estabelecidas, e de alguns resultados alcançados para a superação dos desafios da mãe natureza, há ainda muito a fazer no combate ao aquecimento global, à proteção dos ecossistemas e à adaptação às mudanças climáticas.
Hoje em dia, as emissões de gases de efeito de estufa continuam a aumentar e atingiram já um valor record em 2024. Estima-se que até ao final do século XXI as temperaturas médias aumentem cerca de 3,1°C, caso as políticas ambientais permaneçam inalteráveis e continuem a falhar.
Mais de 30 anos de COPs, de negociações, de financiamento climático e promoção de políticas sustentáveis, o que terá falhado, então, para que este terrível cenário de flagelo do planeta e seus habitantes se avizinhe tão próximo?
As promessas ambiciosas, e a lacuna entre estas e resultados concretos, os avanços pontuais e as falhas recorrentes, surgem como as principais causas do incumprimento das metas climáticas.
Embora as conferências tenham contribuído para a consciência e consenso a nível global e internacional, não foi o suficiente para a mitigação efetiva da crise climática com que o mundo se depara: - É necessário mobilizar líderes mundiais, a sociedade civil, empresas e financiadores para que juntos enfrentem os novos desafios que se apresentam, após o término da COP.
Há que transformar promessas frágeis em decisões efetivas, sustentadas pelo poder económico-financeiro dos grandes grupos mundiais, para que as decisões, abundantes em palavras, não mais o sejam em parcas ações, permitindo construir a ponte que une o abismo criado entre o discurso das lideranças e a execução da obra – A Salvação do nosso lar!


