O MIRANTE dos Leitores | 08-04-2026 14:25

O Rei, a Ibéria e o direito à tradição

A recente presença do Rei Emérito D. Juan Carlos na Maestranza de Sevilha, no dia 6 de Abril, não é apenas um evento da crónica social espanhola;

A recente presença do Rei Emérito D. Juan Carlos na Maestranza de Sevilha, no dia 6 de Abril, não é apenas um evento da crónica social espanhola; é um manifesto de coragem cultural que ecoa com particular vigor nas nossas margens do Tejo. Num tempo em que as tradições mais profundas da Península Ibérica são alvo de um escrutínio redutor, o gesto de D. Juan Carlos surge como um farol de resistência em defesa do nosso património comum.
Para nós, que vivemos na cultura do Ribatejo e partilhamos com os nossos vizinhos a paixão pelo toiro bravo, este apoio real é visto como um ato de fraternidade ibérica. A tauromaquia constitui um pilar da nossa identidade rural e artística. Quer falemos da maestria da lide a cavalo, que atinge nas nossas praças o seu expoente máximo de elegância, ou da valentia ímpar dos nossos grupos de forcados, estamos perante ritos que unem os nossos povos numa mesma raiz cultural.
Ao marcar presença na arena, o Rei Emérito não defende apenas um espetáculo; defende a liberdade de um povo exercer a sua cultura sem o jugo do politicamente correto. É importante sublinhar que a monarquia, historicamente, sempre foi uma grande protetora das artes e dos costumes populares. No Ribatejo, tal como na Andaluzia, o toiro é o guardião da biodiversidade das nossas lezírias e montados. Sem a festa e sem a dignidade do toureio a cavalo ou a emoção da pega, o ecossistema do toiro de lide estaria condenado ao desaparecimento.
O apoio de figuras de tamanha relevância histórica recorda às elites urbanas que a cultura de raiz tem uma dignidade que não pode ser apagada por decretos ou modas passageiras. D. Juan Carlos, ao manter-se fiel às suas convicções, presta um serviço à liberdade cultural de toda a Ibéria. A sua presença em Sevilha deve ser lida em Santarém, Vila Franca ou Salvaterra como um lembrete de que as nossas tradições não são peças de museu, mas sim cultura viva que merece ser celebrada com orgulho. No final, a verdadeira democracia também se mede pela capacidade de respeitar as raízes que nos definem há séculos.
Gabriel Aleixo de Pina

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