A Democracia, o Ser Democrático e a IA
Pelo que já se observa nas escolas e nas universidades, espelhos de toda e qualquer sociedade, numa muito curta baliza temporal, a utilização desmedida da IA poderá ameaçar o Ser Democrático e o ideal da Democracia, tal como a conhecemos.
Num sistema político democrático, no qual se garante a participação ativa de todos os cidadãos, multiplicam-se os ideais de liberdade, igualdade, justiça social e proteção dos direitos humanos, aclamados, já de alguma forma, através da revolução francesa, que influenciou o pensamento das sociedades modernas e da procura por justiça social.
No mundo moderno em que vivemos - um universo onde predominam as sociedades democráticas - há, contudo, dúvidas que surgem, relativamente à ideia da construção de uma sociedade mais justa, bem como ao ideal de Igualdade, preconizado pela Revolução Francesa.
A Igualdade e a Justiça Social são julgadas, frequentemente, como falácias. Como haver igualdade numa sociedade em que o abismo entre as classes sociais, as mais e as menos favorecidas, é cada vez mais notório? O SNS, serviço de saúde público português, não cobre todos os exames e consultas médicas, ainda que o contribuinte efetue os seus descontos e os seus impostos ininterruptamente: sem investimento pessoal na esfera da saúde privada, a ideia do tratamento e, consequentemente, da cura, em alguns casos, não mais é que uma quimera.
A democracia global enfrenta uma crise significativa com recuos alarmantes em vários aspetos: - Não é apenas a deterioração da representação efetiva dos cidadãos pelos partidos, e consequentemente pelos sucessivos governos que os representam, devido à alienação que se tem vindo a agravar ao longo do tempo, à tensão geopolítica e aos eventos bélicos que estremecem o mundo moderno, mas também o impacto das redes sociais e da inteligência artificial, que manipulam a opinião pública e promovem a desinformação, preconizando o perigo da extinção de tomadas de decisões baseadas no livre-arbítrio.
Nas escolas, a inteligência artificial é utilizada por muitos discentes como a “máxima” do conhecimento, esquecendo-se da sua essência basilar e das características fundamentais que definem a condição humana e a capacidade, que lhe é inerente, para refletir e analisar as mais variadas situações conducentes ao desenvolvimento da inteligência humana. E este será o perigo real da utilização desenfreada da IA no processo de ensino-aprendizagem: textos sem “cunho pessoal”, sem reflexão sobre o que é apresentado e a perda de capacidades básicas de raciocínio, que fazem do indivíduo um ser único.
Pelo que já se observa nas escolas e nas universidades, espelhos de toda e qualquer sociedade, numa muito curta baliza temporal, a utilização desmedida da IA poderá ameaçar o Ser Democrático e o ideal da Democracia, tal como a conhecemos, ao influenciar e manipular a opinião pública que, habituada ao facilitismo criado pelas plataformas digitais de inteligência artificial, terá de reaprender a pensar e a refletir, bem como a readquirir os valores básicos e fundamentais promotores de igualdade, justiça social e livre-arbítrio para se contrariar e reverter os efeitos da desigualdade e, de novo, promover-se e garantir a inclusão.


