Azambuja não cede ao oportunismo do PAN: segurança e tradição andam juntas
A verdade é que a Feira de Maio deste ano provou, mais uma vez, a sua enorme vitalidade. Atraiu milhares de visitantes nacionais e estrangeiros, encheu por completo a nossa restauração, comércio e alojamento, e celebrou a matriz cultural do Ribatejo. A festa brava faz parte de nós e une gerações. Contudo, defender a tradição não significa fechar os olhos às falhas.
No passado dia 31 de maio, a nossa Feira de Maio foi palco de um grande sobressalto. Um toiro conseguiu fugir do recinto das largadas após investir contra uma tronqueira, que acabou por partir devido á força do animal e á agitação de alguns populares. O balanço final foi de três feridos e momentos de enorme tensão, controlados graças á intervenção rápida dos nossos campinos e da Proteção Civil.
Para quem, como eu, pertence á nova geração e vive a nossa cultura com orgulho, não foi surpresa ver o aproveitamento político que se seguiu. Numa publicação no Facebook, a líder do PAN, Inês Sousa Real, correu a críticar as nossas tradições.
Exigiu o fim das atividades taurinas sob o pretexto da segurança pública e do bem-estar animal, apelando a que o Estado deixe de "fechar os olhos" a estes eventos.
Esta visão do PAN falha completamente o alvo. Tentar usar um problema logístico e de infraestrutura para banir a cultura de uma região inteira é de um oportunismo gritante.
Como jovem, recuso que queiram cancelar a nossa identidade em vez de resolver os problemas práticos. O Presidente da Associação Cultural "Poisada do Campino", Joaquim Campino, teve a postura certa ao defender institucionalmente a feira e ao responder diretamente a este proibicionismo, fazendo um balanço globalmente positivo.
A verdade é que a Feira de Maio deste ano provou, mais uma vez, a sua enorme vitalidade. Atraiu milhares de visitantes nacionais e estrangeiros, encheu por completo a nossa restauração, comércio e alojamento, e celebrou a matriz cultural do Ribatejo.
A festa brava faz parte de nós e une gerações.
Contudo, defender a tradição não significa fechar os olhos às falhas.
Nas redes sociais, vários moradores criticaram legitimamente o estado envelhecido e degradado de algumas tronqueiras utilizadas. Como jovem de 18 anos, olho para o futuro e sei que a paixão não pode ser desculpa para a falta de manutenção.
Queremos a tradição viva, mas com segurança.
A solução realista não é proibir; é investir. A Câmara Municipal de Azambuja deve avançar de imediato com a aquisição de novas tronqueiras, mais robustas e seguras.
Para que isto não seja um fardo financeiro pesado para o concelho, a autarquia deve liderar uma candidatura a fundos de apoio ao associativismo ou de promoção turística, calendarizando a substituição total das estruturas num prazo realista de 1 a 2 anos.
O futuro da cultura da nossa região depende da nossa capacidade de a proteger. Respondemos ao PAN com força ideológica, mas respondemos á população com investimento e segurança. Só assim blindamos as nossas ruas e mantemos o Ribatejo autêntico.
Gabriel Aleixo de Pina (aluno que representou a Escola Secundária do Cartaxo, a cidade e Portugal no programa Euroscola)


