O MIRANTE dos Leitores | 25-06-2026 17:21

A voz de uma nova geração em defesa da alma ribatejana

A voz de uma nova geração em defesa da alma ribatejana

A Procissão das Velas em Honra de São João Baptista é uma das tradições mais emblemáticas do concelho, marcando o calendário das Festas da Cidade do Cartaxo. Realizada anualmente no mês de junho, esta celebração religiosa culmina com a entrada dos fiéis na emblemática Praça de Touros da cidade.

A recente procissão à luz das velas na Praça de Toiros do Cartaxo antes da corrida de toiros, inserida nas Festas da Cidade, voltou a trazer à discussão uma polémica que, infelizmente, já se tornou habitual. Grupos e cidadãos ligados ao movimento anti-taurinos apressaram-se a criticar severamente a Igreja Católica, argumentando que a instituição se devia afastar da tauromaquia. No entanto, aos 18 anos, recuso-me a aceitar a ideia de que o progresso da minha geração deve envolver o apagamento de nossa identidade.

A cultura é definida como o modo de ser, sentir e viver de um povo. No Ribatejo, a festa brava faz parte das nossas raízes e da nossa maneira de ser mais profunda. Não estamos falando de uma moda passageira, mas de uma herança com quase um milênio: as corridas de touros existem em Portugal desde os séculos XII e XIII. No Cartaxo, essa história se mantém viva desde 1874, ano da inauguração da nossa praça de touros, erguida com o esforço e o orgulho do povo local. Como jovem, acredito que respeitar o futuro exige, antes de tudo, honrar esse passado.

A Igreja Católica tem toda a legitimidade em manter a sua ligação histórica à tauromaquia.

Esse vínculo se baseia em fatos sociais e humanos inescapáveis.

Muitas das praças de toiros em Portugal pertencem às Santas Casas da Misericórdia locais, e inúmeros eventos tauromáquicos revertem diretamente em favor das obras sociais da igreja, financiando o apoio a idosos, crianças e famílias carentes.

É a solidariedade a acontecer através da tradição.

Além disso, nossas grandes corridas estão ligadas a festas de profunda marca religiosa, como a emblemática Feira de Todos os Santos. Existe uma cultura de fé muito forte no meio dos homens dos touros. Campinos, cavaleiros e meninos da minha idade que enfrentam o touro como forcados entram na arena com oração no peito e respeito à vida.

Criticar a presença de um sacerdote ou de uma imagem sagrada na arena do Cartaxo é não entender a alma ribatejana. A procissão à luz de velas é a união perfeita entre a fé e a cultura que nos define. Como jovem ribatejano, defendo essa ligação porque acredito que temos o direito e o dever de manter viva a liberdade de sentir e viver nossas tradições.

Gabriel Aleixo de Pina (aluno que representou a Escola Secundária do Cartaxo, a cidade e Portugal no programa Euroscola)

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