O MIRANTE | 19-11-2020 18:00

“Um território não se desenvolve do ponto de vista económico se não valorizar as pessoas e não proteger o ambiente”

“Um território não se desenvolve do ponto de vista económico se não valorizar as pessoas e não proteger o ambiente”
ESPECIAL ANIVERSÁRIO
Fernanda Asseiceira - Presidente do Conselho de Administração da Aquanena - Empresa Municipal de Águas e Saneamento de Alcanena

Fernanda Asseiceira - Presidente do Conselho de Administração da Aquanena - Empresa Municipal de Águas e Saneamento de Alcanena.

Temos actualmente uma sociedade mais amiga do ambiente?

Infelizmente, não temos. Assistimos todos os dias a comportamentos inadequados. O lixo colocado no chão, os passeios com os dejectos dos animais que as pessoas levam a passear, uma incorrecta utilização dos contentores, rejeições indevidas para as linhas de água, incumprimentos legais e regulamentares…. Há ainda um longo caminho a percorrer a bem do Ambiente… afinal, a bem de todos nós, a bem da Humanidade.

Quais são os principais problemas ambientais do seu concelho?

Os principais problemas ambientais em Alcanena são conhecidos por todos pois existem há muitos anos. São problemas associados à poluição de recursos hídricos, à poluição do ar e, em algumas situações, à poluição dos solos resultantes de ocorrências de más práticas na sua generalidade ainda associadas ao sector de curtumes e a um sistema que precisa de se tornar mais resiliente.

O que tem sido feito para alterar essa situação?

A empresa municipal Aquanena foi criada para integrar o abastecimento de água e o saneamento para finalmente poder haver uma visão integrada e estratégica sobre estas duas grandes áreas de intervenção e de interesse público, com uma bandeira bem erguida de sustentabilidade e de valorização do Ambiente e da Qualidade de Vida. Tudo o que é feito é a pensar na defesa do ambiente. Está em fase de conclusão o Plano Estratégico para o Sistema de Alcanena, que elenca um conjunto de intervenções que nos devem conduzir pelo caminho da melhoria das condições ambientais, garantindo a monitorização e controlo do sistema e a sua maior eficiência para ultrapassar ainda debilidades existentes.

Há uma plena adesão dos trabalhadores a esses princípios?

Na Aquanena os trabalhadores têm plena consciência, desde a primeira hora, da missão da empresa que os contratou. Mas a nossa acção e o cumprimento dos objectivos dependem também da relação, da responsabilidade e do compromisso de todos os utilizadores, de todos os clientes.

Os interesses económicos continuam a ser privilegiados em relação ao ambiente?

A nossa visão foi sempre a da sustentabilidade. Um território não desenvolve em pleno do ponto de vista económico se não valorizar as pessoas e se não proteger o ambiente. É esta dimensão triunida que pretendemos para o concelho de Alcanena.

Os países da União Europeia querem reduzir o uso de pesticidas para metade nos próximos 10 anos e ter 25% das terras agrícolas sob produção biológica. O que diria aos decisores políticos se lhe perguntassem a sua opinião?

Infelizmente, temos décadas de más práticas. Quando se tem que fazer depois um caminho que, sendo de evolução, implica fazer investimentos, alterar procedimentos e reorganizar toda a forma de trabalho. Só pode concretizar-se a mais curto prazo atingindo metas mais ambiciosas com sistema de incentivos, formação e fiscalização.

Em que pensa normalmente quando se fala de verde?

A cor verde é sem dúvida associada à Natureza, à Floresta… de forma mais abrangente à Biodiversidade e ao Ambiente. Aliás, a imagem de comunicação da Aquanena tem o verde como cor dominante.

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