O MIRANTE | 20-11-2020 18:00

“Fazer cumprir as leis ambientais para proteger as empresas que investem no ambiente”

“Fazer cumprir as leis ambientais para proteger as empresas que investem no ambiente”
ESPECIAL ANIVERSÁRIO
Nuno Castelão - Gerente da Tipografia aPersistente, Chamusca

Nuno Castelão - Gerente da Tipografia a Persistente, Chamusca.

Continuamos a ouvir brilhantes discursos identificando áreas de intervenção urgentes mas são só palavras. Por vezes até são feitos estudos de diagnóstico concludentes e sinistros. Infelizmente continuam a ficar na gaveta todos os investimentos e medidas necessárias para inverter esta trajectória de auto-destruição.

A mecanização da agricultura veio trazer uma redução de custos e aumento de produção mas tem impactos negativos. Usam-se combustíveis fosseis e adubos, pesticidas e outros químicos que contaminam os solos e os lençóis freáticos e que diminuem a biodiversidade. As regas com elevados consumos elevados de água e as produções animais vão acentuando esse impacto negativo.

O futuro passa pela redução dos pesticidas na agricultura e pelo aumento da agricultura biológica mas há que reflectir. Vão aumentar os custos de produção e isso influenciará o preço do produto final. As pragas serão mais difíceis de combater e as produções tendem a cair. O custo de vida tem aumentado substancialmente e corremos o risco desses produtos não ficarem acessíveis a todos. Os incentivos financeiros terão um papel decisivo para a mudança.

Há já vários anos que aPersistente tem investido substancialmente para a redução da sua pegada ecológica. Certificada pela ISO 14001:2015 (ambiente), tem dado o exemplo de grande consciência ambiental. Equipou-se de tecnologia amiga do ambiente, usa tintas de base vegetal, produz uma parte significativa da electricidade que consome através de painéis solares, utiliza tecnologia Led na sua iluminação e faz a separação de todos os seus sub-produtos e resíduos para a reciclagem. A empresa está preparada para a certificação FSC (Certificação Florestal) que indica que as matérias-primas desta origem são produzidas em zonas controladas, protegendo o ciclo natural da floresta, permitindo a sua renovação e biodiversidade.

Uma empresa que invista na protecção do ambiente pode correr riscos a nível de sustentabilidade se tiver que competir com empresas que não têm essa preocupação. Os Estados têm que fazer cumprir as leis ambientais para isso não se verificar. Só assim poderá haver ganhos expressivos e sustentáveis a nível ambiental. Tudo o que hoje não gastamos iremos exponencialmente fazê-lo mais à frente.

A produção de papel e embalagem é uma das indústrias mais sustentáveis. Existem mitos que devem ser ultrapassados. O fabrico de papel não destrói as florestas. A área florestal europeia aumentou, nos últimos 25 anos, a um ritmo de cerca de 850 mil hectares por ano, muito influenciada pela indústria papeleira, que a protege. Uma das características únicas do papel reside no facto da sua principal matéria-prima ser renovável e reciclável, proporcionando um habitat natural para a vida selvagem. O papel é um produto natural e renovável e as árvores vão absorvendo CO2 da atmosfera. Quando se fala de fogos e eucaliptos lembro-me da incapacidade que continuamos a ter na luta contra esse flagelo. As árvores não têm culpa. Os criminosos sim.

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