O MIRANTE | 20-11-2020 15:00

“O Politécnico de Santarém está preparado para ser um importante actor do desenvolvimento da região”

“O Politécnico de Santarém está preparado para ser um importante actor do desenvolvimento da região”
ESPECIAL ANIVERSÁRIO
João Miguel Moutão - Presidente do Instituto Politécnico de Santarém

João Miguel Moutão - Presidente do Instituto Politécnico de Santarém.

O que tem sido implementado no Politécnico de Santarém que contribua para a defesa do ambiente?

O Politécnico de Santarém associou-se ao programa Eco-Escolas|EcoCampus que visa promover a educação ambiental, assim como a melhoria contínua da gestão ambiental nas instituições de ensino superior. Todavia, o melhor contributo que podemos dar ao nível da capacitação de recursos humanos para intervir neste domínio é através da nossa licenciatura em Educação Ambiental e Turismo de Natureza, que é oferecida na Escola de Educação e que envolve também a Escola Agrária e a Escola de Desporto.

De um modo geral, a economia é privilegiada em relação ao ambiente. Há alguma possibilidade de alterar esta situação?

A economia tem prevalecido em relação a tudo o resto, muitas vezes até em relação à própria dignidade humana. Felizmente que as novas gerações já têm outra mentalidade e dão primazia a outro tipo de valores. O consumidor de hoje é mais ambientalmente responsável e, na hora de decidir, já não olha apenas para o preço, mas também se preocupa com a origem e a forma como se produz os produtos que está a consumir. Há possibilidade de mudar e isso reside nas pessoas através de um processo de educação e consciencialização.

Os países da União Europeia querem reduzir o uso de pesticidas para metade nos próximos 10 anos e ter 25% das terras agrícolas sob produção biológica. O que diria aos decisores políticos se lhe perguntassem a sua opinião?

Diria que esse caminho é inevitável e convidava-os a visitar a Escola Superior Agrária de Santarém que se constitui como um centro de produção de conhecimento a nível nacional e internacional neste domínio. A Escola está implantada no coração do Ribatejo, centro de produção agrícola de excelência no país, e tem vários projectos de investigação a decorrer neste domínio com elevado potencial de transferência para o tecido produtivo que temos. A região de Santarém tem condições para liderar essa mudança e ser um exemplo.

Fechar a torneira enquanto lava os dentes ou se ensaboa no banho; separar o lixo para reciclagem; circular de carro a baixa velocidade para poluir menos e comprar electrodomésticos que consumam menos energia, mesmo que sejam mais caros, são alguns conselhos para ajudarmos a preservar o planeta. Destes, qual é aquele que não consegue seguir e porquê?

Consigo fazer todos, mas o ponto essencial é o que é referido no final, “mesmo que sejam mais caros”. Infelizmente, quando se quer ter um comportamento mais consciente a nível ambiental isso significa invariavelmente comprar “mais caro”. Ttenho essa possibilidade, mas tenho consciência que isso não é a realidade da maior parte da população, infelizmente. Faz falta uma política fiscal mais verde que torne estes produtos mais acessíveis. Desloco-me numa viatura híbrida. Se fosse mais acessível, provavelmente, teria uma viatura eléctrica e se houvesse uma boa rede de transportes ferroviários na região provavelmente nem viatura teria.

Como prevê que venha a ser a evolução da região?

Ao contrário de outras regiões, que evoluem em torno de cidades que centralizam e sorvem tudo à sua volta, a região de Santarém caracteriza-se por ter um aglomerado de cidades de média dimensão que funcionam quase que como um sistema interdependente. Temos todas as condições para criar um projecto de desenvolvimento deste território que seja apoiado através dos fundos que estão alocados ao ambiente e às cidades inteligentes. Do que é que estamos à espera? Não sei. Terá de haver essa liderança ou, mais uma vez, perderemos este comboio.

O que não lhe perguntámos que gostaria de responder?

Se acredito que o Politécnico de Santarém está preparado para cumprir a sua missão de ser um importante actor deste desenvolvimento futuro que pretendemos para a região? Diria, categoricamente, que sim! Temos um corpo docente altamente qualificado e especializado que pode ser reforçado através de projectos mobilizadores atraindo mais capital humano para a região que pode ser alocado a estruturas de interface e interacção com a envolvente externa.

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