O MIRANTE | 20-11-2020 15:00

“O modo de produção capitalista é por natureza depredador dos recursos naturais e explora-os de forma desenfreada”

“O modo de produção capitalista é por natureza depredador dos recursos naturais e explora-os de forma desenfreada”
ESPECIAL ANIVERSÁRIO
Mário Pereira - Presidente da Câmara Municipal de Alpiarça

Mário Pereira - Presidente da Câmara Municipal de Alpiarça.

A associação quase que imediata entre o verde e a defesa do ambiente é algo que tenho presente desde a minha adolescência. Em grande medida foi resultado do crescimento do movimento ecologista europeu e mundial nos anos oitenta, que fui acompanhando e que moldou a minha formação. Em Portugal, naturalmente, com o surgimento do PEV e a sua dedicação consequente às causas ambientais, da agricultura e do desenvolvimento sustentável, pelo desarmamento global e pela paz. São causas que também assumimos desde sempre pelo meu Partido (PCP).

Os maiores problemas ambientais da nossa região prendem-se com a poluição e com os baixos caudais do rio Tejo. O Estado português tem aqui um papel fundamental na necessária e urgente recuperação do Tejo, quer identificando e combatendo directamente as fontes de poluição através das diversas entidades dependentes da administração central quer, no que respeita aos caudais ecológicos, promovendo a discussão séria com o Estado espanhol que garanta uma gestão justa e a consequente passagem da água para o lado de cá da fronteira. O Projecto Tejo, lançado em Alpiarça, na Quinta da Lagoalva, será um factor decisivo na resolução deste problema ambiental.

Outro problema grave que se coloca aos concelhos da região é o atravessamento diário de diversas localidades, entre as quais Alpiarça, por centenas de camiões carregados de lixo e de matérias perigosas. A maioria tem como destino o Eco-Parque no concelho da Chamusca e a situação que terá necessariamente de ser resolvida em definitivo com a construção do troço em falta do IC 3, obra há muito exigida pelas populações, autarcas e agentes locais.

A intervenção que considero fundamental em termos ambientais é o projecto do Parque Ambiental de Alpiarça. Ele será objecto de uma próxima candidatura a financiamento por fundos estruturais, articulando vários espaços ecologicamente importantes como o Paúl da Gouxa, a Reserva do Cavalo Sorraia, o Alto do Castelo ou a Barragem dos Patudos. Trata-se de promover a defesa do ambiente conjugada com o turismo e o lazer num processo que conduzirá ao desenvolvimento económico e social de forma sustentável aos diversos níveis.

O modo de produção capitalista é por natureza depredador dos recursos naturais e explora-os de forma desenfreada. É por isso o principal causador dos mais graves problemas ambientais em todo o mundo. É claro que, ainda que no quadro actual, e mesmo entre os agentes económicos e decisores políticos, existe uma crescente consciência e a preocupação cada vez mais generalizada com a ecologia, com a defesa dos recursos e do planeta, no limite. Também se têm registado inúmeras medidas que procuram minimizar os impactos da actividade humana, sobretudo a económica, que é justo valorizar e apoiar, porque positivas em termos globais para a vida em cada comunidade e no planeta Terra.

A redução dos pesticidas e o aumento das áreas de produção biológica é uma das medidas positivas no quadro da redução dos impactos negativos da exploração intensiva e depredadora dos recursos. Para que este objectivo seja atingido é preciso que as lógicas da PAC seguida pela UE sofram uma enorme alteração e que sejam atribuídas as verbas suficientes em forma de subsídios aos produtores, nomeadamente aos pequenos produtores, ao sector cooperativo e à agricultura familiar, de forma a garantir a necessária transição produtiva, essencial à sobrevivência de muitos milhares de unidades neste vasto processo e ao abastecimento de alimentos em quantidade e de qualidade às populações e povos.

Em minha casa somos cuidadosos quanto às actividades diárias que implicam o uso da água e da energia. É uma preocupação que sempre procurámos passar aos mais novos na família, não apenas pelo impacto ambiental, mas também pelo peso económico que assumem no orçamento familiar. Procuramos também fazer a separação dos lixos domésticos utilizando regularmente os ecopontos para a deposição do vidro, dos plásticos e do papel. No que respeita à consideração das questões de consumo energético dos electrodomésticos no momento de aquisição, embora esse factor possa entrar de início na equação, normalmente acaba por não ser determinante na decisão final, impondo-se os aspectos mais práticos, como o do preço e o da eficiência, ou outros, até mais subjectivos, como o elemento estético.

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