O MIRANTE | 20-11-2020 15:00

“Os problemas ambientais decorrem da acção humana e só se resolvem com alterações comportamentais”

“Os problemas ambientais decorrem da acção humana e só se resolvem com alterações comportamentais”
ESPECIAL ANIVERSÁRIO
João Moura - Presidente da Assembleia Municipal de Ourém

João Moura - Presidente da Assembleia Municipal de Ourém.

Em que pensa normalmente quando se fala de verde?

Quando penso em ambiente geralmente ocorre-me a ausência de cor talvez porque me ensinaram a definir o grau de pureza da água, o elemento base do ambiente como, sem cor, sem cheiro e sem sabor. Quanto menos “pintarmos” a natureza melhor será o meio ambiente. No entanto, entendo e respeito a directa associação do verde à defesa do meio ambiente e, já agora, do azul às viaturas eléctricas amigas do meio ambiente.

Quais são os principais problemas ambientais na sua área de residência e de trabalho?

Quer na minha área de residência quer na minha área de trabalho não há problemas específicos ambientais, diferentes dos existentes na generalidade do país. São problemas que decorrem quase em exclusivo da acção humana e que só se resolvem com alterações comportamentais.

Na assembleia municipal há algo que tenha implementado a pensar na defesa do ambiente?

Sim, várias medidas, desde o dia em que assumi funções foram implementadas medidas que visaram a redução do consumo energético, a redução do consumo de plásticos e um conjunto de acções com jovens do concelho que visam alterar e sensibilizar comportamentos humanos.

De um modo geral, a economia é privilegiada em relação ao ambiente, seja por governantes ou empresários. Há alguma possibilidade de alterar esta situação?

O Ambiente é, e deverá ser, sempre a prioridade. Por esta razão Portugal é um dos países do mundo onde as medidas ambientais são mais exigentes. Infelizmente nem sempre essas regras são cumpridas e cabe a quem governa tomar medidas que visem fazer com que o “crime” não compense.

Os países da União Europeia querem reduzir o uso de pesticidas para metade nos próximos 10 anos e ter 25% das terras agrícolas sob produção biológica. O que diria aos decisores políticos se lhe perguntassem a sua opinião?

A meta é ambiciosa e faz sentido desejar diminuir o uso de pesticidas e aumentar a percentagem de terrenos agrícolas destinados à agricultura biológica. No caso de Portugal aquelas metas serão alcançáveis se, por exemplo, aumentarmos a área de aptidão agrícola, nomeadamente se aumentarmos significativamente as áreas de regadio. Fazer no Ribatejo e no Oeste o que fizemos no Alqueva.

O que não lhe perguntámos que gostaria de responder?

Gostava que me perguntassem o que respondeu o senhor ministro do Ambiente quando lhe perguntei directamente que medidas pensava tomar para travar os focos de poluição constantes nos rios Almonda, Tejo, Alviela e Nabão. Ele disse que desconhecia qualquer foco de poluição naqueles rios e que as análises da água nada detectaram. E gostava que me perguntassem o que o Governo tem no Orçamento de Estado para honrar o compromisso de resolver as acessibilidades ao parque do Relvão, na Chamusca, nomeadamente na alternativa à Ponte da Chamusca. Eu responderia que nada. O Governo esqueceu completamente o distrito de Santarém.

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