O MIRANTE | 21-11-2020 10:00

“Políticos têm que deixar de olhar para os pés e passarem a olhar para o horizonte”

“Políticos têm que deixar de olhar para os pés e passarem a olhar para o horizonte”
ESPECIAL ANIVERSÁRIO
Emídio Almeida - Veterinário, director clínico do hospital veterinário Tutivet, em Santarém

Emídio Almeida - Veterinário, director clínico do hospital veterinário Tutivet, em Santarém.

Faz-me confusão chegar a um local e encontrar luzes acesas desnecessariamente. Mesmo que o local não seja meu não saio sem apagar as luzes todas. Faz-me confusão ver qualquer tipo de excessos e desperdícios. Faz-me confusão gastar uma folha para escrever duas linhas ou para imprimir um e-mail. Faz-me confusão deixar torneiras a pingar todo o dia.

As imagens dos “Mares de Plástico” e dos animais que morrem por ingestão de plástico deixam-me verdadeiramente doente. Não devemos consumir artigos que não sejam biodegradáveis. Quando, depois de todos os cuidados, ainda assim, temos de consumir alguns bens nada ou pouco biodegradáveis há que reciclar. Imperativo.

Na Tutivet abandonámos a antiga tecnologia de revelação de radiografias, que consumia películas e líquidos de revelação, por radiologia digital. Implementámos hábitos de reciclagem de forma muito séria. E houve total colaboração dos trabalhadores

Os políticos geralmente privilegiam a economia em detrimento do ambiente porque o ambiente sai caro. Empurra-se com a barriga para que a factura seja paga por quem vier a seguir. O grande erro é que, efectivamente, não tem de ser assim. A médio/longo prazo, cuidar do ambiente sai muitíssimo mais barato. A forma de alterar esta situação é obviamente ter uma visão estratégica. Olhar, não para os pés, mas para o horizonte. Pensar, não na geração actual, mas nas gerações futuras.

As pessoas que contestam a meta de redução dos pesticidas para metade deviam reflectir. Preferimos dar alimentos menos “bonitos” aos nossos filhos/netos, mas sem resíduos de insecticidas, fungicidas, etc. ou ignorar isso e dar-lhes alimentos tóxicos?

Não devemos seguir as tendências da moda só porque sim. Mudar a matrícula do automóvel, porque as novas são mais giras, é um perfeito disparate. Não devemos trocar de telemóvel porque agora o último modelo tem mais “isto”, quando o telemóvel actual está óptimo e, na verdade, o que o novo vai trazer nem sequer vou usar.

Deixo o desafio para que experimentem fazer a produção de alguns bens agrícolas em vossa casa. Vão divertir-se, vão poupar e vão dar muito mais valor ao que consomem. Até numa varanda se consegue produzir alguma coisa mas pode desafiar amigos e criar uma horta comunitária. Asseguro que vão encontrar alguém que disponibilize um pedaço de terra. Eu por exemplo!

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