O MIRANTE | 17-11-2022 10:00

“Após quatro décadas de aplicação de fundos comunitários os resultados não são os melhores”

“Após quatro décadas de aplicação de fundos comunitários os resultados não são os melhores”
ESPECIAL 35 ANOS DE O MIRANTE
Ricardo Gonçalves Presidente da Câmara Municipal de Santarém

A região tem crescido pouco em comparação com outras. E com excepção de Santarém e mais quatro ou cinco concelhos, que têm bons indicadores económicos, os restantes concelhos têm indicadores abaixo da média nacional.

Sou um regionalista convicto e tenho defendido a criação de regiões administrativas. Acredito que são um patamar privilegiado para intervenção cívica, reforçando a posição do poder local no cumprimento daquilo que é o princípio da subsidiariedade. No que respeita à região de Santarém, é aceite por todos que há necessidade de criar uma nova NUTII que englobe os municípios do Ribatejo e Oeste, aliás como o próprio Governo já solicitou à Comissão Europeia, integrando os municípios das comunidades intermunicipais do Médio Tejo, da Lezíria do Tejo e do Oeste.

Gosto de encarar as coisas pelo lado positivo e esperar sempre por um desfecho favorável, mesmo em situações muito difíceis. O optimismo é o meu estado natural. Costumo dizer que quando nos unimos nas dificuldades, não há obstáculo que não possa ser transposto ou dificuldade que não possa ser superada. E como se diz na gíria: “o pessimismo é um luxo dos países ricos”.

Os últimos anos ensinaram-nos que as previsões do futuro nos surpreendem ao minuto e, por isso, são apenas e só previsões. Por isso, quando falo de futuro, gosto sempre de falar de esperança, de resiliência. Prefiro descobrir hoje o que importará amanhã e, nessa perspectiva, criar condições para ajudar as organizações e as pessoas a concretizarem a transformação de que necessitam para acompanharem o futuro, que chega rapidamente.

Após quase quatro décadas de aplicação dos fundos comunitários em Portugal, os resultados não são os melhores. A competitividade, o crescimento e a convergência da economia para o nível dos países mais avançados são muito modestos. Temos que ter uma maior capacidade de definir as políticas que correspondam às necessidades da economia e sejam adequadas ao contexto comunitário e internacional. Não podemos usar fundos europeus para substituir investimento interno. Devemos usá-los como investimento adicional, de apoio ao desenvolvimento.

Devemos ter especial cuidado na utilização dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência. Embora a maior parte das verbas sejam atribuídas a entidades públicas, esse capital que o país vai receber chegará também ao sector privado e constitui um poderoso instrumento para o reforço da competitividade das empresas e da solidez dos seus balanços. As empresas portuguesas vão poder ganhar escala, reforçar a sua capacidade exportadora e investir mais na inovação, na digitalização e na sustentabilidade.

A eventual construção do novo aeroporto no concelho de Santarém será importante para toda a região Centro e Área Metropolitana de Lisboa. Aquela infra-estrutura promove a coesão territorial e permitirá a resolução de um conjunto de problemas nas acessibilidades de um concelho que é servido por três auto-estradas (A1, A10 e A15) e que há muito reivindica uma ligação à A1 na zona norte. Estamos no centro de um nó ferro/rodoviário muito importante. Acredito que Santarém será a solução escolhida pelo Governo.

A região teve vários sucessos, como a construção de algumas infra-estruturas importantes. Infelizmente nenhum conseguiu ter um efeito multiplicador e acelerador na economia da região, o que nos leva a ter dos piores indicadores económicos nas duas NUTIII do distrito de Santarém. Que mais investimentos venham para a região, pois acredito que podemos inverter definitivamente esse indicador.

Nos últimos 35 anos a região cresceu pouco em comparação com outras. E com excepção de Santarém e mais quatro cinco concelhos, que têm bons indicadores económicos, os restantes concelhos têm a maioria dos indicadores económicos muito abaixo média nacional. Isso prejudica muito a região como um todo.

Percebemos que a informação municipal nem sempre chega à maioria dos destinatários. Hoje existem muitas formas de comunicar e isso também leva as pessoas a dispersar a sua atenção. Gostaria que na região existisse um Canal Santarém à semelhança do Porto Canal.

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