O MIRANTE | 17-11-2022 11:00

“Líderes políticos locais não tem tido a dedicação e as ideias mais adequadas para o distrito”

“Líderes políticos locais não tem tido a dedicação e as ideias mais adequadas para o distrito”
ESPECIAL 35 ANOS DE O MIRANTE
Vítor Paulo Martins director clínico da Clínica do Coração Santarém

Não se entende que haja tanta falta de mão-de-obra e haja desemprego significativo. Deveriam ser revistos os incentivos para os que não querem trabalhar e incentivar quem inicia actividade profissional.

Portugal é o país da União Europeia mais dependente dos fundos europeus. Será que já não conseguimos fazer nada sem fundos comunitários?

Trata-se de um erro de percepção. Se nos anos 80 e 90 esses fundos foram fundamentais pelo atraso no desenvolvimento do país, actualmente com as bases já estabelecidas temos que ter a inteligência e a inovação inerentes para criarmos riqueza sem estarmos sempre à espera da esmola da Europa. Trata-se de um problema fundamentalmente político na sua génese, mas a culpa será também dos nossos empresários pelos escassos projectos fora da área dos fundos comunitários.

Uma significativa parte da população recebe informação seleccionada por algoritmos e difundida automaticamente pelas redes sociais. É o seu caso?

Na minha área profissional (vertente médica), a informação é sobretudo vinculada pelas comunicações científicas, pelos consensos internacionais e nacionais. A evolução no conhecimento médico tem sido exponencial e por isso mesmo temos que estar atentos à evolução do conhecimento e traduzir tal na nossa prática clínica.
A informação mais relevante relativa à sua clínica, está a chegar aos destinatários?

Como faz para que isso aconteça e o que poderia ser feito para melhorar?

Nem sempre é fácil essa transmissão de informação. Pessoalmente tenho tentado através de artigos de opinião publicados nos meios de comunicação nacionais e regionais transmitir o “estado da arte” em relação ao conhecimento médico na área da Cardiologia e da Arritmologia.

Está satisfeito com a localização da sua empresa e sente que faz parte e é importante na sua comunidade?

A localização é importante para a visibilidade da instituição mas também para o conforto dos utentes. Neste momento e ao fim de 32 anos de trabalho médico, sendo os últimos 24 anos na cidade de Santarém, sinto que já faço parte da comunidade. O facto de o contacto pessoal estar sempre presente na minha labuta diária tem sido fundamental no sucesso da minha actividade. Tal, tem-se traduzido numa sensação de bem nesta relação biunívoca médico - doente.

Revê-se nos líderes políticos locais ou em algum em particular?

Penso que a quase totalidade dos líderes políticos locais não têm tido a dedicação e as ideias mais adequadas para o distrito pelo que não salientaria nenhum.

Como é que resolve a falta de mão-de-obra que é cada vez mais difícil encontrar?

Aqui trata-se de um problema nacional e não local. Não se entende e não se pode aceitar que haja tanta falta de mão-de-obra e haja desemprego significativo. Deveriam ser revistos os incentivos para os que não querem trabalhar e incentivar os que iniciam actividade profissional de novo.

Os institutos politécnicos podem ser parceiros ou acha que estamos a falar de instituições que vivem noutra dimensão?

Teoricamente são instituições que pelo excelente trabalho que fazem deviam ser parceiros activos e nem sempre tal acontece.

Quando se refere à nossa região, a que se refere em concreto?

Uma região com enorme potencial, com importante localização estratégica, nem sempre compreendida. Há entraves ao desenvolvimento que exigem a envolvência de todos os intervenientes (empresários/autarcas/políticos) para serem ultrapassados. A inércia, a falta de consensos e o confronto serão os principais entraves.

Como encara a notícia do interesse de um grupo de investidores privados em fazer um aeroporto em Santarém?

Excelente notícia que permitirá relançar a nossa visibilidade a nível nacional e que, se for concretizada, será benéfica para todo o Ribatejo.

Quais considera terem sido os maiores sucessos da região nos últimos trinta e cinco anos?

Os acessos rodoviários e pouco mais.

E os maiores fracassos?

O programa cultural muito fraco. A reduzida aposta no turismo, a inexistência de estruturas hoteleiras de qualidade associadas a infra-estruturas que permitam a realização de eventos científicos e profissionais.

O que gostaria de acrescentar?

Tal como muitas cidades no nosso país se desenvolveram de modo extraordinário, também San-tarém deverá aspirar a um crescimento e a uma envolvência que seja condigna com o seu legado histórico.

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