O MIRANTE | 17-11-2022 16:00

“O maior sucesso da nossa região passou muito por nunca termos perdido a nossa identidade”

“O maior sucesso da nossa região passou muito por nunca termos perdido a nossa identidade”
ESPECIAL 35 ANOS DE O MIRANTE
Manuel Valamatos Presidente da Câmara Municipal de Abrantes

Os fundos comunitários são um acelerador de investimento, ou seja, seria inevitável fazer as intervenções que têm sido feitas, no entanto demoraríamos muito mais anos a atingir estes objectivos.

Qual foi a altura em que se sentiu mais optimista, quer a nível profissional quer pessoal?

Sou um optimista por natureza por isso não consigo identificar um momento em particular. Acredito muito no meu trabalho, no trabalho dos meus colegas do executivo e no trabalho dos trabalhadores do município. Nos princípios e valores que me foram transmitidos pela minha família e pela comunidade abrantina. O meu natural optimismo vem muito disso.

Qual foi o mais recente sucesso?

No âmbito da conversão da Central Termoeléctrica do Pego fomos chamados a contribuir para que Portugal atingisse os objectivos da descarbonização. Sofremos com isso graves prejuízos económicos e sociais, mas apesar das dificuldades, nunca desistimos de encontrar as soluções que a nossa comunidade desejava e merecia.

O que foi conseguido?

Neste momento temos um investimento em curso por parte da Endesa de cerca de 600 milhões de euros no concelho e na região. Estamos também a trabalhar no Fundo de Transição Justa onde, nesta primeira fase, já tivemos candidaturas que representam um investimento elegível em Abrantes de cerca de 50 milhões de euros. A nossa expectativa é que estes investimentos gerem centenas de postos de trabalho e uma valorização imensa da nossa economia local e do próprio concelho e região.

Quando se refere à nossa região a que se refere em concreto?

Refiro-me em concreto à região do Médio Tejo. No entanto, era muito importante que esta região se tornasse maior e mais robusta onde se inclua o Médio Tejo a Lezíria do Tejo e o Oeste. Estes três territórios possuem uma identidade própria e têm todas as condições para o desenvolvimento de uma boa estratégia comum, na construção de projectos estruturantes e simultaneamente potenciando uma nova visão de gestão do território. É fundamental que se avance para a criação de uma nova NUT II que agregue aquelas regiões.

Como encara a notícia do interesse de um grupo de investidores privados em fazer um aeroporto em Santarém?

Com grande optimismo e satisfação. Fiquei muito agradado com a proposta do novo aeroporto em Santarém, que tive a oportunidade de conhecer no âmbito de uma apresentação na Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. Do que conheço de todos os potenciais destinos e dos seus projectos esta é uma excelente opção para o futuro do país. A ser concretizada permitirá transformar por completo toda a região trazendo emprego, manutenção e atracção de população para a região, mais turismo e desenvolvimento.

Quando se perspectiva o futuro costuma olhar-se para o passado. Neste caso do aeroporto vale a pena fazer esse exercício ou é melhor ignorar o que se passou?

A maior lição que podemos retirar destas cinco décadas de indecisão sobre a localização do aeroporto é a forma enviesada como o país tem crescido em favor do litoral. Portugal tem de se virar para o seu interior defendendo-o e potenciando o seu crescimento. Por isso reafirmo que a construção do mesmo em Santarém é uma oportunidade histórica para o país.

Quais considera terem sido os maiores sucessos da região nos últimos trinta e cinco anos?

Considero que o maior sucesso da nossa região passou muito por nunca termos perdido a nossa identidade. A nossa cultura, os nossos valores, a defesa do nosso património material e imaterial. Não tenho dúvida que é esta reafirmação constante da nossa essência que nos permitirá conquistar o futuro.

E os maiores fracassos?

Temos certamente fracassos próprios que poderemos atribuir ao poder local e às comunidades, mas continuo a achar que o maior fracasso foi o abandono a que a região foi sujeita por parte dos vários Governos que não soube defender a unidade do território.

Portugal é o país da União Europeia mais dependente dos fundos europeus. Já não conseguimos fazer nada sem os fundos comunitários?

Julgo que a questão não será tanto não conseguirmos fazer nada sem os fundos comunitários, mas sim não sermos suficientemente eficientes na sua utilização. De qualquer forma, parece-me evidente o crescimento e desenvolvimento do país após a nossa adesão à comunidade europeia.

Qual o impacto dos mesmos no seu concelho?

Temos uma utilização muito assertiva dos fundos europeus investindo-os em infra-estruturas fundamentais para o desenvolvimento e o futuro do concelho. O caso do novo Centro Escolar de Abrantes, que inaugurámos no início deste ano lectivo, permite aos nossos jovens terem as melhores condições para desenvolverem os seus percursos escolares com sucesso, é um bom exemplo. Os fundos comunitários são um acelerador de investimento, ou seja, seria inevitável fazer as intervenções que têm sido feitas, no entanto demoraríamos muito mais anos a atingir estes objectivos.

Uma significativa parte da população recebe informação seleccionada por algoritmos e difundida automaticamente pelas redes sociais. É o seu caso?

As redes sociais têm as suas desvantagens, mas também as suas vantagens. Na utilização que faço não procuro muito a informação, já que tenho por hábito ler as notícias disponíveis online e ainda gosto muito de folhear os jornais em papel. Nos últimos anos tenho utilizado mais as redes sociais como meio de trabalho, o que me permite ter um meio adicional de contacto directo com os abrantinos, mas não há rede social que substitua o contacto directo com as pessoas nas ruas.

O que gostaria de acrescentar?

Deixar uma mensagem de parabéns pelo 35º aniversário do O MIRANTE, de que sou leitor regular, reconhecendo o grande contributo que o jornal e os seus trabalhadores têm prestado à nossa comunidade e desejando que continuem a informar bem e por muitos e bons anos.

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