O MIRANTE | 17-11-2022 10:00

Se não fizéssemos parte da União Europeia estaríamos infinitamente mais pobres

Se não fizéssemos parte da União Europeia estaríamos infinitamente mais pobres
ESPECIAL 35 ANOS DE O MIRANTE
António João Coelho de Sousa Presidente do Conselho de Administração da Companhia das Lezírias

A burocracia impacta negativamente e directamente com todos nós retirando-nos qualidade de vida. Tem custos enormes para cidadãos, empresas e instituições e, naturalmente, para a nossa região e para o país.

Qual foi a altura em que se sentiu mais optimista, quer a nível profissional quer pessoal?

Sou um optimista-realista. Tenho os pés bem assentes no chão. Acompanho o pensador Wacker quando refere que não sabe o que vai acontecer amanhã, mas sabe que o optimista terá um bom futuro e o pessimista um futuro difícil. Naturalmente senti-me sempre mais optimista, em períodos de prosperidade económica e de estabilidade social e política, porque esses contextos são mais favoráveis ao desenvolvimento individual e colectivo. Por muito fugazes que sejam são a prova de que, pelo menos durante algum tempo, o conhecimento ganhou à ignorância, a solução ganhou ao problema e a lógica construtiva ganhou à destrutiva.

Como encara a notícia do interesse de um grupo de investidores privados em fazer um aeroporto em Santarém?

Só falo do que sei. E disso sei pouco. Não tenho conhecimento suficiente para exprimir opinião fundamentada. Mas sei que o novo aeroporto já há muitos anos que deveria ter sido construído. Isso sei.

Quais considera terem sido os maiores sucessos da região nos últimos trinta e cinco anos?

Para mim, o maior sucesso de uma região vê-se sempre pelo investimento no imaterial. Investir na educação, na formação e, portanto, no conhecimento é fundamental. Penso que nos últimos trinta e cinco anos a região tem dado passos firmes nestas áreas. Mas deve-se fazer mais… muito mais. Não esqueçamos que o conhecimento é o factor produtivo do século XXI que marcará as diferenças. Por isso, temos de o tratar bem. A ele e aos agentes que o criam e que o transferem.

E os maiores fracassos?

Do lado oposto ao conhecimento temos a ignorância. Quando esta ganha ao conhecimento temos problemas graves. Se quisermos ser mais concretos poderemos chamar aqui à coação o grande problema das alterações climáticas. Elas não estão a ter a devida atenção da parte de todos nós. Esta região, sendo muito agrícola sofre mais com a crise climática. Tem de se fazer mais, muito mais, não só da parte dos governos, mas também das empresas, instituições e pessoas.

De quem é a maior responsabilidade pela situação?

A responsabilidade é de todos. Não vale a pena “sacudir a água do capote” e enviar recorrentemente as culpas para os outros. Todos somos co-responsáveis pela situação ambiental actual. Temos a obrigação de deixar um planeta melhor aos nossos filhos e netos. Eles não têm culpa do que a nossa geração está a fazer ao planeta. Há que mitigar ainda mais os impactos das alterações climáticas. O que está a ser feito não chega. Fala-se demais e faz-se de menos.

Que alterações defende para dar mais consistência à nossa região e que entraves existem para as concretizar?

Defendo maior simplificação de processos de toda a ordem. Dito de outro modo, será fundamental fazer diminuir a burocracia instalada uma vez que ela impacta negativamente e directamente com todos nós retirando-nos qualidade de vida. A burocracia tem custos enormes para cidadãos, empresas e instituições e, naturalmente, para a nossa região e para o nosso país.

Portugal é o país da União Europeia mais dependente dos fundos europeus Será que já não conseguimos fazer nada sem eles?

A União Europeia é uma das maiores e mais importantes obras feitas pelo Homem e tem garantido o maior período de paz na Europa. Foi fundada para promover a coesão social, económica e territorial entre os países membros e o respeito pelos direitos humanos. Para ir conseguindo alcançar os objectivos a que se propôs coloca à disposição dos estados-membros um conjunto alargado de fundos. Portugal por ser, desde o início da sua adesão, um dos países mais atrasados estruturalmente tem efectivamente usufruído de muitos fundos europeus.

O que seríamos capazes de fazer sem eles?

A questão não estará em saber se não conseguiríamos fazer nada sem fundos europeus (claro que conseguiríamos fazer algumas coisas), mas sim em saber o nível de eficiência da utilização desses fundos e como melhorá-la continuamente. Não tenho dúvidas que se não fizéssemos parte da União Europeia estaríamos infinitamente mais pobres.

Uma significativa parte da população recebe informação seleccionada por algoritmos e difundida automaticamente pelas redes sociais. É o seu caso?

Já me tem acontecido, mas não muitas vezes, pois não sou utilizador muito dependente das redes sociais. Mas noto por vezes a “presença” do algoritmo a querer influenciar. Recolho a informação que considero pertinente fazendo uma selecção por palavras-chave e procurando separar rapidamente lixo de informação.

O que gostaria de acrescentar?

Dar os parabéns a O MIRANTE pelos seus 35 anos desejando-lhe uma continuidade longa e de grande sucesso e a toda a equipa.

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