O MIRANTE | 17-11-2022 09:00

Talvez o maior fracasso tenha sido a divisão no distrito provocando a falta lideranças regionais

Talvez o maior fracasso tenha sido a divisão no distrito provocando a falta lideranças regionais
ESPECIAL 35 ANOS DE O MIRANTE
Anabela Freitas Presidente da Câmara Municipal de Tomar

Estamos numa fase de construção, consolidação e afirmação da região, pelo que todos e cada um devem sair do seu “quintal”, pensar e concertar estratégias para o futuro.

Quando se refere à nossa região, a que se refere em concreto?

Quando me refiro à nossa região, refiro-me ao denominado distrito de Santarém.

Que alterações defende para dar mais consistência à nossa região e que entraves existem para as concretizar?

A criação da nova região, que agregue as actuais sub-regiões do Médio Tejo e da Lezíria, com a junção do Oeste, vem dar um impulso grande à intensificação da identidade e sobretudo massa critica tão necessária para a sustentabilidade e competitividade. O maior desafio é a articulação entre os vários actores no terreno, sendo essencial a articulação entre poder público, empresas e instituições de ensino superior, logo o modelo de governança e as lideranças.

Como imagina o futuro da região?

Entendo que a região, nesta versão mais alargada, tem um potencial imenso. Desde logo o facto de ser uma região com uma demografia interessante (por via do Oeste) permite-nos ter uma maior autonomia em relação a Lisboa. Nunca gostei da expressão “cintura verde” de Lisboa, somos uma região com muitas empresas de elevado valor acrescentado, com potencialidades em logística, energia, agricultura, novas tecnologias, turismo, só para enumerar algumas áreas. Temos todos os graus de ensino e portanto uma região com potencialidades para aumentar o seu produto interno e contribuir ainda mais para a economia nacional.

Como encara a notícia do interesse de um grupo de investidores privados em fazer um aeroporto em Santarém?

É muito positivo para a região. Para além de todo o investimento que acarreta em infra-estruturas, algumas já no papel há demasiado tempo, a criação de postos de trabalho, quer directos quer indirectos, contribuindo assim para atrair pessoas para o território. É sem dúvida um investimento do maior interesse para a região.

Quando se perspectiva o futuro costuma olhar-se para o passado. Neste caso do aeroporto vale a pena fazer esse exercício ou é melhor ignorar o que se passou?

Sou optimista, por isso é melhor ignorar o passado. Já é muito positivo esta localização estar a ser equacionada e estudada. No entanto, desejo é que haja uma decisão e, já agora, que seja na nossa região.

Quais considera terem sido os maiores sucessos da região nos último trinta e cinco anos?

A rede escolar existente, incluindo o ensino superior, a rede de cuidados de saúde, apesar da falta de profissionais, mas o que é certo é que a rede está criada e a instalação de empresas que acrescentam valor acrescentado à região

E os maiores fracassos?

Talvez o maior fracasso tenha sido a divisão no distrito, provocando a falta lideranças regionais; o dividir para reinar.

Portugal é o país da União Europeia mais dependente dos fundos europeus. Já não conseguimos fazer nada sem os fundos comunitários?

Provavelmente o que temos de questionar é se as politicas públicas de aplicação dos fundos comunitários estão bem desenhadas. Quando temos um território tão diverso, dificilmente com a mesma resposta se solucionam os problemas. Desde o primeiro quadro comunitário de apoio que temos fundos para a Coesão, mas será que se está a promover a Coesão?

O que defende?

Defendo que devem existir politicas públicas, mesmo que assentes em fundos comunitários, diferenciadoras consoante os problemas territoriais. O Fundo de Transição Justa é um bom exemplo de um instrumento de financiamento, criado para dar uma resposta específica a um território e gerou interesse e candidaturas de investimento muito significativas.

Uma significativa parte da população recebe informação seleccionada por algoritmos e difundida automaticamente pelas redes sociais. É o seu caso?

Não sou frequentadora das redes sociais. Prefiro a imprensa escrita e a televisão.

Qual foi a altura em que se sentiu mais optimista, quer a nível profissional, quer pessoal?

Sou uma pessoa optimista, penso sempre que o amanhã será melhor que o dia de hoje ou ontem, quer a nível profissional quer a nível pessoal.

É possível viver e trabalhar sem prever o futuro?

Prever é cada vez mais um exercício de grande complexidade, pelo menos prever a médio e longo prazo, pelo que a “arte” está em saber para onde se quer ir, adaptando a cada momento a trajectória, mas sem perder de vista o objectivo que se pretende alcançar.

O que gostaria de acrescentar?

Gostaria de acrescentar que estamos numa fase crucial para a nossa região. Numa fase de construção, consolidação e afirmação da região, pelo que todos e cada um devem sair do seu “quintal”, pensar e concertar estratégias para o futuro.

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