O MIRANTE | 18-11-2022 18:23

“Investimos na formação dos jovens e não somos capazes de fixar esse talento e investimento”

“Investimos na formação dos jovens e não somos capazes de fixar esse talento e investimento”
ESPECIAL 35 ANOS DE O MIRANTE
João Miguel Raimundo Peres Moutão Presidente do Instituto Politécnico de Santarém

O maior sucesso da região tem sido oferecer acesso a bons serviços públicos, à cultura e a um elevado nível de qualidade de vida, resistindo à tentação de um crescimento desenfreado e pouco sustentado.

O ensino superior terá um papel crucial na criação de uma cultura e valores europeus. Hoje os mais jovens já não concebem as suas vidas sem a Europa por a maioria já ter vivido algum tempo noutro país por via do programa Erasmus. A coesão da Europa estará assente na criação de Universidades Europeias e esse processo já se encontra em curso. Nós próprios contamos fazer parte de uma Universidade Europeia, enquanto consórcio de instituições de ensino superior de diferentes países da Europa.

Os fundos comunitários podem ser importantes no início, mas temos de conseguir fazer com que sejam reprodutivos. É por essa razão que defendo uma forte aposta no conhecimento e na qualificação das pessoas e no tecido produtivo, numa lógica de formação contínua ao longo da vida. A formação de adultos é critica e, acima de tudo, a formação dos quadros e dirigentes do sector empresarial da região. Só com inovação de base tecnológica poderemos ser competitivos na sociedade do futuro.

Não preciso de uma bola de cristal para perceber que a Região de Santarém será uma das regiões que mais irá crescer e afirmar-se no futuro. Não é só o aeroporto de Lisboa que está esgotado, é a própria cidade de Lisboa, cuja vocação deve ser a de uma cidade de serviços. Santarém será a melhor resposta para quem quiser viver com qualidade de vida e proximidade a Lisboa. Trata-se de uma questão de visão e, também, de bom senso.

O maior sucesso da região tem sido oferecer aos residentes o acesso a bons serviços públicos, à cultura e a um elevado nível de qualidade de vida. E ter feito isso resistindo à tentação de um crescimento desenfreado e pouco sustentado como aconteceu em localidades nos subúrbios de Lisboa. O que ainda está por concretizar, em minha opinião, é agregar toda a região do Ribatejo e Oeste num projecto único de Região.

Tendo a ser um consumidor responsável e muito crítico da informação. Apenas uso as redes sociais, para alguns contactos e de uma forma muito moderada. Esta responsabilidade no consumo deve ser ensinada aos mais jovens nas escolas, vivemos numa sociedade muito diferente daquela em que cresci e talvez muitos de nós não se apercebam da influencia que estas plataformas têm na vida das pessoas. Fiquei muito alarmado com os sinais de que estas plataformas foram usadas no passado para influenciar em massa a decisão de populações inteiras em processos eleitorais. Isso tem de ser regulado e visto com muita atenção.

A baixa natalidade não é o único factor para o envelhecimento do país. Existe a outra face da moeda que é a fuga das pessoas mais qualificadas para outros países da Europa em busca de melhores ordenados e condições de trabalho. Este para mim é até o principal problema porque andamos a investir na formação dos nossos jovens e depois não somos capazes de fixar esse talento e investimento.

Em 1537 o Rei D. João III, transferiu a Universidade de Lisboa para Coimbra. É incrível como passados quase 500 anos ainda não percebemos esta lógica e continuamos a querer fazer de Lisboa e Porto cidades universitárias quando essa não é a sua vocação. São capitais viradas para os serviços. E depois ficamos admirados com o preço do alojamento. Estamos a investir um valor absurdo em novas residências em Lisboa e Porto quando por um terço disso fazíamos o dobro da construção em cidades do interior como Santarém, Tomar, Castelo Branco, Guarda, etc..

Para além de fixarem jovens nos territórios, os Politécnicos têm também contribuído para uma política de imigração responsável. Tal é feito através da admissão de jovens de outros países, em especial de língua portuguesa, que vêm contribuir para resolver os problemas da baixa natalidade. No caso do Politécnico de Santarém, são já perto de 500 estudantes internacionais que se encontram a frequentar cursos e que por essa via têm direito a um visto para permanecer no país. Muitos destes jovens, após a conclusão dos seus cursos, integrarão as carreiras profissionais de muitas empresas e continuarão a residir no país.

Quero felicitar o jornal O MIRANTE por mais um aniversário, e todos os seus colaboradores pelo importante trabalho que fazem de verdadeiro serviço público. São uma peça fundamental para o funcionamento da democracia e têm feito um trabalho notável para afirmação da “nossa” região de Santarém.

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