“O mundo tal como o conhecíamos acabou e vivemos tempos difíceis e estranhos”

Encaro a notícia do interesse de um grupo de investidores privados em fazer um aeroporto em Santarém com muito cepticismo, e mais não digo.
Que alterações defende para dar mais consistência à região?
Eu sou um defensor da regionalização. É importante que o poder de decisão esteja na posse de quem na região a noção das necessidades, do que deve ser feito e qual a prioridade para a sua concretização.
Qual foi a altura em que se sentiu mais optimista, quer a nível profissional, quer pessoal?
Vivemos tempos difíceis e estranhos. O mundo como o conhecíamos acabou. Vivemos uma nova realidade mundial. Neste século já tivemos uma crise económica a nível mundial, depois uma pandemia que nos obrigou a alterar a nossa forma de viver e agora temos uma guerra na Europa que ninguém sabe quando e como vai acabar. Grandes desafios colocam-se diariamente e temos que saber lidar com eles, é o que tenho feito nestes últimos anos e é o que vou continuar a fazer.
É possível viver e trabalhar sem prever o futuro?
Sou uma pessoa que pensa muito no futuro e por isso vivo muito com base em cenários que eu próprio vou construindo, os quais acabam por condicionar e orientar as minhas decisões, tanto políticas como profissionais.
Como encara a notícia do interesse de um grupo de investidores privados em fazer um aeroporto em Santarém?
Com muito cepticismo e mais não digo.
Quando se perspectiva o futuro costuma olhar-se para o passado. Neste caso vale a pena fazer esse exercício ou é melhor ignorar tudo o que se passou?
Neste caso devemos olhar muito para o passado.
Quais considera terem sido os maiores sucessos da região nos últimos 35 anos?
A construção de um conjunto de equipamentos (escolas, pavilhões desportivos, piscinas, estradas, zonas industriais, etc.) que permitiram o desenvolvimento económico e social de toda a região.
E os maiores fracassos?
A não conclusão do IC3 e o não aproveitamento das Águas do Tejo, são dos maiores fracassos da nossa região e tudo isto porque falta avançar com a regionalização.
Portugal é o país da União Europeia mais dependente dos fundos europeus. Será que já não conseguimos fazer nada sem os fundos comunitários?
É um problema cultural.
Uma significativa parte da população recebe informação seleccionada por algoritmos e difundida automaticamente pelas redes sociais. É o seu caso?
Diariamente faço uma leitura de vários jornais, por isso, sou pouco afectado por esse tipo de informação.
A informação mais relevante relativa à sua instituição está a chegar aos destinatários? Como faz para que isso aconteça?
Utilizamos os jornais locais, regionais e as redes sociais para difundir as nossas actividades.