O MIRANTE | 17-11-2023 11:00

É pena que Santarém ainda não tenha um museu ligado ao 25 de Abril instalado na Escola Prática de Cavalaria

É pena que Santarém ainda não tenha um museu ligado ao 25 de Abril instalado na Escola Prática de Cavalaria
36 ANOS DE O MIRANTE
José Eduardo Carvalho, 66 anos, presidente da direcção da AIP - Associação Industrial Portuguesa

Lamento o ressurgimento de ditaduras e autocracias no mundo. E lamento ainda mais que nas democracias liberais haja segmentos de população que beneficiem das liberdades concedidas para defender valores e sociedades que as negam.

Os meios de comunicação social têm que estar registados e os seus responsáveis identificados. E têm que cumprir leis, nomeadamente a lei de imprensa. Deve continuar assim ou os jornais devem ter maior liberdade?

Na minha opinião todos os sectores de actividade deviam ter concorrência e regulação. A imprensa não deve ser uma excepção. Existe uma ampla liberdade de opinião e de imprensa em Portugal. Se a ampliássemos podíamos cair no “lamaçal” das redes sociais.

Há cada vez mais pessoas que optam por ser informadas através do que lhes chega pelas redes sociais. É o seu caso?

Não estou inserido em nenhuma rede social. Sinto-me bem assim. Leio jornais e livros impressos e ainda não me senti atraído por outras alternativas. Apesar disso considero-me bem informado.

A informação devia ser toda gratuita e de acesso livre? Como acha que isso poderia ser feito?

A informação é um bem essencial numa sociedade desenvolvida. Todos os bens essenciais têm um preço. Ou são pagos pelo consumidor ou pagos pela sociedade através de impostos.

Os hábitos de leitura mudaram e há muitos jornais em dificuldades, alguns dos quais de âmbito nacional e outros que já deixaram de se editar, nomeadamente regionais? É algo que o preocupe?

A sociedade está a mudar e tem os seus efeitos nos comportamentos sociais. Continua-se a ler pouco em Portugal. Não é de agora. Em 1640 havia mais ingleses a saber ler do que em Portugal em 1940. As empresas de comunicação saberão encontrar formas de contornar essas dificuldades e obstáculos mas haverá um inevitável choque de selecção.

Consegue explicar, com um ou dois exemplos, como acha que seria a sua vida, a nível pessoal e profissional, num país não democrático?

Não consigo sequer imaginar. Viver numa democracia liberal e numa economia de mercado é uma condição fundamental para a realização humana e para o desenvolvimento social e económico. Lamento é o ressurgimento de ditaduras e autocracias no mundo. E lamento ainda mais que nas democracias liberais haja segmentos de população que beneficiem das liberdades concedidas para defender valores e sociedades que as negam.

O que foi para si o 25 de Abril de 1974?

O 25 de Abril foi fundamental para arquitectar a sociedade que hoje temos. E a cidade de Santarém ficou ligada de forma indelével a essa ruptura do regime. É pena que a cidade não tenha um museu ligado ao 25 de Abril instalado na Escola Prática de Cavalaria. Há lá tantas coisas mas falta-lhe esta.

A Inteligência Artificial está presente, cada vez mais, na nossa vida? Sente isso? E está confortável com o que se está a passar?

É impressionante a revolução que se está a passar nas nossas vidas. Não tenho uma visão pessimista dos benefícios das rupturas tecnológicas. Em todas as épocas conseguiram-se minimizar os efeitos maléficos dessas rupturas. Irá suceder o mesmo com esta.

As alterações climáticas são uma realidade ou há muito exagero no que é apresentado? Vale a pena alterarmos alguns comportamentos?

Creio que serial útil para todos evitarmos os exageros. Se tal acontecer conseguiremos ser mais realistas e adoptar os comportamentos necessários para evitar este grave problema. Sou um amante da natureza e tenho uma atitude que se enquadra nessas preocupações. O que não gosto de ver é utilizarem este problema para combater o capitalismo. A Europa é o bloco económico menos responsável pela emissão de dióxido de carbono. Os activistas contestam a Europa, mas não mexem um dedo para contestar a China, Rússia, Índia ou EUA, os principais responsáveis pelas emissões. Já se viu em Portugal alguma manifestação dos activistas junto às embaixadas desses países?

Na Constituição da República estão inscritos os direitos e os deveres dos cidadãos. É capaz de indicar dois ou três dos nossos deveres constitucionais?

Direitos conheço. Quanto aos direitos recordo o direito ao sufrágio, trabalho e educação.

Se tivesse que classificar a classe política que vai festejar os 50 anos do 25 de Abril na Assembleia da República que pontuação lhe dava de 1 a 10?

Não faço distinção na atribuição de responsabilidades aos diversos segmentos da classe dominante pela situação onde nos encontramos. Podíamos todos ter feito mais e melhor. A nossa geração não fez tudo o que devia ter feito. E isso cria grande desconforto e desencanto.

Qual foi o último texto que leu em O MIRANTE de que gostou?

Leio O MIRANTE todas as semanas nomeadamente as secções económicas e de desporto. E gosto da irreverência dos artigos da última página, às vezes excessivamente agressivos para o meu gosto.

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