O MIRANTE | 17-11-2023 12:00

Não podemos ficar limitados à informação que um qualquer algoritmo selecciona

Não podemos ficar limitados à informação que um qualquer algoritmo selecciona
36 ANOS DE O MIRANTE
Anabela Freitas, 56 anos, Vicepresidente da Entidade Regional Turismo do Centro

Em muitos dos indicadores de desenvolvimento humano Portugal está nos países da frente a nível mundial e isso só é possível porque existiu o 25 de Abril.

Consegue explicar, com um ou dois exemplos, como acha que seria a sua vida, a nível pessoal e profissional, num país não democrático?

Se vivesse num país não democrático, como era o nosso antes do 25 de Abril, não poderia ter viajado sem autorização do marido ou do pai, não poderia ser sido deputada da Assembleia da República ou presidente da Câmara Municipal de Tomar e, mais importante, não teria direito a votar.

O que foi para si o 25 de Abril de 1974?

É inegável que existe um país antes e depois do 25 de Abril. A liberdade que todos ganhámos, liberdade de pensamento, de expressão, liberdade de podermos decidir a nossa vida e após o 25 de Abril, a entrada de Portugal na então CEE (Comunidade Económica Europeia) trouxe-nos a todos uma qualidade vida que não existia. Em muitos dos indicadores de desenvolvimento humano Portugal está nos países da frente do mundo, tudo ganhos que só são possíveis porque existiu o 25 de Abril. Em 1974 eu tinha sete anos, portanto, para mim, foi a possibilidade de ter crescido em liberdade.

Se tivesse que classificar a classe política que vai festejar os 50 anos do 25 de Abril na Assembleia da República que pontuação lhe dava de 1 a 10 ?

Prefiro não pontuar a classe política, porque os políticos não são todos iguais, mas espero que o 25 de Abril seja comemorado por todos os portugueses.

Na Constituição da República estão inscritos os direitos e os deveres dos cidadãos. É capaz de indicar dois ou três dos nossos deveres constitucionais?

Votar, proteger o património alheio e promover a educação.

Qual a sua posição sobre as alterações climáticas?

As alterações climáticas existem e já estamos todos a sentir os seus efeitos. Alterei alguns comportamentos, ando mais a pé quando possível, tento comprar os produtos locais para diminuição da pegada carbónica e tenho cuidado na utilização da energia e da água. Temos mesmo de alterar comportamentos mas temos de ser todos.

E sobre a Inteligência Artificial?

A IA está cada vez mais presente nas nossas vidas, a maior parte das vezes sob formas que nem nos apercebemos. Certamente já aconteceu com todos nós estarmos a falar sobre determinado tema e quando abrimos um qualquer motor de busca aparecem imagens ou textos ou publicidade sobre o assunto. É óbvio que a IA traz grandes mais valias para a vida de todos, por exemplo na Medicina. Mas é preciso ter cautela porque a mesma pode levar à perda de liberdade. Quando apenas temos acesso àquilo que um qualquer algoritmo nos mostra, isso tira-nos capacidade de pensar, de contraditório, de respeitar outras opiniões (o que pode levar a consequências significativas a nível social). Acho que é uma matéria que deveria ser mais debatida e estar mais na ordem do dia.

Os órgãos de comunicação social têm que estar registados e os seus responsáveis identificados. E têm que cumprir leis, nomeadamente a lei de imprensa. Deve continuar assim ou os jornais devem ter maior liberdade?

A lei de imprensa é uma das conquistas do 25 de Abril. Desconheço no entanto, se a mesma está actualizada face às necessidades e desafios dos dias de hoje. Mas, em tudo, entendo que devem existir regras.

Há cada vez mais pessoas que optam por ser informadas através do que lhes chega pelas redes sociais. É o seu caso?

Em primeiro lugar não considero o que vem nas redes sociais como informação, a não ser que sejam redes sociais geridas por órgãos de comunicação social credíveis, como é o caso de O MIRANTE. Existem apenas dois jornais que vejo nas redes sociais (O MIRANTE e Expresso), de resto prefiro o formato papel. Penso que o futuro passa pelo aumento da utilização das redes sociais por parte dos órgãos de comunicação social para chegarem a mais leitores, mas o importante sempre é que seja informação feita por jornalistas e não por uma qualquer pessoa que não esteja obrigada à ética jornalística.

A informação devia ser toda gratuita e de acesso livre? Como acha que isso poderia ser feito?

Sim, devia, no entanto, só será possível se existir forte subsidiação da mesma e isso pode colocar em causa a sua isenção.

Há muitos jornais em dificuldades, alguns dos quais de âmbito nacional e outros que já deixaram de se editar, nomeadamente regionais? É algo que a preocupa?

Sim. Os jornais (em formato papel) sempre fizeram parte da minha vida e ao longo dos anos, sobretudo os jornais locais, têm vindo a desaparecer. É importante termos consciência que nem toda a gente tem acesso a redes sociais e o jornal, a par da rádio local, são a única forma de essas pessoas se manterem informadas e até de manterem hábitos de leitura porque muitas das vezes o jornal local ou regional é a única fonte de leitura. Esta função social que os jornais têm está a perder-se.

Qual foi o último texto que leu em O MIRANTE de que gostou?

A entrevista à atleta Inês Henriques.

O que é que não lhe perguntamos que gostava de responder?

Onde estava no 25 de Abril de 1974? (risos)

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