O MIRANTE | 17-11-2023 09:00

Nas áreas rurais os jornais regionais são a grande e principal fonte de informação da população

Nas áreas rurais os jornais regionais são a grande e principal fonte de informação da população
36 ANOS DE O MIRANTE
António Camilo, 63 anos, Presidente da Câmara Municipal da Golegã

O autoritarismo, a censura e a repressão política nunca serão ideais pelos quais me reja. A democracia e a liberdade são fundamentais para se viver em sociedade

As alterações climáticas são uma realidade ou há muito exagero no que é apresentado?

A desvalorização das alterações climáticas levou-nos ao ponto em que estamos neste momento: um planeta sobreaquecido, em risco de colapso. É fundamental que todos percebam que, para a nossa sobrevivência, é urgente alterar comportamentos. Praticar um estilo de vida sustentável, simples e minimalista, tendo em conta as emissões de carbono e a redução de resíduos, são só algumas das coisas que podemos fazer. Eu, em particular, tento todos os dias pô-las em prática.

Como encara os avanços na área da Inteligência Artificial?

A Inteligência Artificial (IA) está presente em cada vez mais sectores da nossa vida trazendo muitos benefícios. No entanto, penso que estamos a enveredar por um caminho muito sinuoso, nomeadamente ao nível da privacidade e da segurança cibernética. É crucial manter a regulamentação e a ética e serem criados sistemas de IA transparentes e justos.

Se tivesse que classificar a classe política que vai festejar os 50 anos do 25 de Abril na Assembleia da República que pontuação lhe dava de 1 a 10?

Daria um 9, por ser parte integrante do marco mais importante da nossa história, e que teve um enorme impacto na sociedade, cultura e política do país.

É capaz de indicar dois ou três dos nossos deveres constitucionais?

Todos de igual importância mas posso indicar o direito à vida, à igualdade e à educação, bem como o dever de cumprir leis e de respeitar os direitos dos outros.

O que foi para si o 25 de Abril de 1974?

Cheguei a Portugal, vindo de Angola, em 1975, e por isso não vivi intensamente o 25 de Abril. No entanto, considero este um episódio de extrema importância para a nossa história enquanto país. O autoritarismo, a censura e a repressão política nunca serão ideais pelos quais me reja. A democracia e a liberdade são fundamentais para se viver em sociedade.

Como foi recebida a notícia da revolução em Angola?

Eu tinha 14 anos. Nesse dia soubemos que tinha havido uma revolução, quando eram cerca das 17h00 e lembro-me de ouvir dizer a colegas e pessoas mais velhas que tinha chegado a liberdade e que podíamos fazer o que quiséssemos. Foi muito estranho porque vivia no seio de uma família onde se falava de tudo. Liberdade para essas pessoas era tudo menos haver respeito pelo próximo. Marcou-me
bastante. No meu entender uma das razões por ter havido a guerra civil naquele país que se prolongou por anos.

Consegue explicar como seria a sua vida num país não democrático?

O maior exemplo que posso dar para espelhar um regime autoritário foi ter que sair da minha terra para poder viver tranquilamente e em liberdade.

O MIRANTE sai semanalmente em papel, desde Novembro de 1987 e edita notícias online a qualquer hora, desde Novembro de 2002, mas para o fazer tem que estar registado e os seus responsáveis identificados. E tem que cumprir leis, nomeadamente a lei de imprensa. Deve continuar assim ou os jornais devem ter maior liberdade?

Têm que haver regras, que devem ser cumpridas, a bem do equilíbrio entre a liberdade de imprensa e outros direitos como o respeito pela privacidade e reputação das pessoas. Os jornais e todos os meios de comunicação devem ser regulamentados e operar em conformidade. Caso contrário a responsabilidade e ética jornalística estariam em causa.

Há cada vez mais pessoas que optam por ser informadas através do que lhes chega pelas redes sociais. É o seu caso?

Sim, é o meu caso, e o da maior parte das pessoas, principalmente por haver uma rápida e fácil disseminação das informações. E isto é sem dúvida uma vantagem face às notícias em formato papel, por exemplo. O impacto das redes sociais é gigantesco e rapidamente chegam a uma audiência global. No entanto há que ser criterioso e exigente perante o perigo da desinformação e das “fake news”, que fazem cada vez mais parte do nosso dia-a-dia.

A informação devia ser toda gratuita e de acesso livre?

Este é um tema complexo mas considero que deve haver ponderação entre o acesso gratuito à informação e a questão da sustentabilidade financeira e a qualidade das notícias. Se por um lado devemos garantir que a sociedade esteja devidamente informada, para que faça escolhas livres e tome decisões com base em evidências, por outro devemos estar atentos a aspectos importantes como, por exemplo, a protecção dos direitos de autor.

Há jornais em dificuldades e alguns já deixaram de se editar, nomeadamente regionais? Como encara essa realidade?

Nas áreas rurais os jornais regionais são muitas vezes a principal fonte de informação de uma população largamente envelhecida que não tem acesso às redes sociais. É preocupante e está em causa não só o futuro deste tipo de imprensa como também a educação de uma boa parte da sociedade.

Qual foi o último texto que leu em O MIRANTE de que gostou?

Foi um artigo sobre a inauguração da nossa Feira Nacional do Cavalo com a respeitável presença do Senhor Presidente da República.

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