O MIRANTE | 18-11-2023 11:00

Devemos reflectir sobre a mobilização de recursos públicos e privados que garantam o acesso livre à informação

Devemos reflectir sobre a mobilização de recursos públicos e privados que garantam o acesso livre à informação
36 ANOS DE O MIRANTE
João Teixeira Leite, 39 anos, vice-presidente da Câmara Municipal de Santarém

A liberdade, que hoje temos como garantida, é necessária em qualquer sociedade que se ambicione justa e que queira ter ao seu dispor os meios necessários para um desenvolvimento salutar.

Como vê a crescente presença da Inteligência Artificial no nosso dia-a-dia?

O avanço tecnológico faz parte do desenvolvimento da sociedade, mas não devem ser ultrapassados os limites do bom senso. Tem de existir, hoje mais que nunca, a preocupação em garantir a sustentabilidade de sociedades vindouras. A Inteligência Artificial deverá ser usada para ajudar e potenciar as actividades do Homem e da Mulher, mas nunca numa perspectiva de imprescindibilidade.

As alterações climáticas são uma realidade ou há muito exagero no que é apresentado?

Infelizmente são uma realidade e por isso mesmo é necessário promover hábitos mais saudáveis para preservar a natureza. Tenho cada vez maior consciencialização no consumo de água, um bem precioso e escasso. Neste momento faço a maioria das compras no comércio local, apoiando os produtores locais, garantindo a qualidade máxima dos produtos adquiridos e também salvaguardando a não necessidade de grandes trajectos na cadeia de distribuição dos bens. As minhas deslocações diárias são efectuadas num veículo híbrido. A separação dos resíduos é algo também presente no meu dia-a-dia.

Portugal vai celebrar os 50 anos do 25 de Abril? O que significa para si essa data?

Em 1974 ocorreu um movimento político e social essencial que cessou um regime ditatorial (Estado Novo) cujas consequências se notam ainda hoje na nossa sociedade. A democracia, como a conhecemos hoje, perpetuou a liberdade de escolha, um direito imprescindível numa sociedade desenvolvida. Recorrendo ao exemplo dos meios de comunicação, os jornais almejaram uma liberdade de expressão sem precedentes, sem censura. O 25 de Abril é sinónimo de Liberdade e esse é o símbolo maior da revolução dos cravos.

Consegue explicar, com um ou dois exemplos, como acha que seria a sua vida, a nível pessoal e profissional, num país não democrático?

Não consigo equacionar essa hipótese, mas certamente as nossas vidas seriam tristes e repletas de injustiças. A liberdade, que hoje temos como garantida, é necessária em qualquer sociedade que se ambicione justa e que queira ter ao seu dispor todos os meios necessários e suficientes para um desenvolvimento salutar.

Se tivesse que classificar a classe política que vai festejar os 50 anos do 25 de Abril na Assembleia da República que pontuação lhe dava de 1 a 10?

Não posso, em consciência, pontuar aquele que é o resultado directo das escolhas individuais de cada cidadão. Em democracia o povo é soberano e escolhe os seus eleitos, contudo, é claro e notório que os portugueses esperavam e sobretudo mereciam obter mais resultados da acção dos diversos órgãos de soberania.

O MIRANTE e os outros meios de comunicação social têm que estar registados e os seus responsáveis identificados. E têm que cumprir leis, nomeadamente a lei de imprensa. Deve continuar assim ou os jornais devem ter maior liberdade?

Viver em sociedade significa respeitar os outros e para isso estão definidas normas sociais que têm que ser honradas. Contudo cumprir regras não invalida ter liberdade. A questão principal a ser reflectida nesta temática consiste na necessidade de reconhecer os limites individuais preservando as liberdades integrais da sociedade. Os jornais deverão continuar a informar conscientemente os seus leitores pautando pela veracidade e legitimidade dos factos.

Há cada vez mais pessoas que optam por ser informadas através do que lhes chega pelas redes sociais. É o seu caso?

Não é o meu caso. Nas redes sociais há uma disseminação de muita informação, imprecisa e mesmo falsa. Nesse contexto é necessária prudência e sensatez na sua leitura. A imprensa tem que continuar a adaptar-se ao mundo digital e a disponibilizar informação credível, de fácil acesso e de forma interactiva.

A informação devia ser toda gratuita e de acesso livre?

Só um povo informado consegue tomar decisões conscientes. Devemos por isso reflectir sobre a mobilização de recursos públicos e privados que garantam o acesso livre à informação. Em Santarém gostava que os jornais regionais em formato digital pudessem ser disponibilizados aos jovens das nossas escolas.

Qual foi o último texto que leu em O MIRANTE de que gostou?

Gostei da informação referente ao Festival Nacional de Gastronomia. É preciso dar palco às nossas tradições e este é um evento anual que promove a identidade de um município que é a capital da gastronomia há 42 anos.

O que é que não lhe perguntamos que gostava de responder?

A pergunta a que gostava de ter respondido era: como encaro a liberdade no futuro? Desejava que fosse uma liberdade sensata, mas sobretudo informada. Para isso, é necessário que O MIRANTE dure, pelo menos mais 36 anos, e que semana após semana leve aos seus leitores, notícias reais da região para que todos possamos ler e reflectir sobre a actualidade e conservar as memórias mais profundas desta lindíssima capital do Ribatejo pela qual tenho uma enorme paixão e que sonho tornar cada vez mais bela, forte e ambiciosa.

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