O MIRANTE | 18-11-2023 17:00

Livros e jornais em papel têm um cheiro e uma consistência tão especiais que o prazer de os ler e manusear é indescritível

Livros e jornais em papel têm um cheiro e uma consistência tão especiais que o prazer de os ler e manusear é indescritível
36 ANOS DE O MIRANTE
José Alves, 70 anos, Provedor da Associação do Hospital Civil e Misericórdia de Alhandra

O 25 de Abril foi um dia em que me senti orgulhoso de ser português. Um dia em que deixei de ter receio de falar, sobre qualquer tema, sem a ameaça de ser denunciado e eventualmente preso.

A informação devia ser toda gratuita e de acesso livre?

Considero que a informação, tal como o conhecimento, numa sociedade democrática, deveriam ser de acesso livre e tendencialmente gratuitos. O apoio do Estado e a publicidade deveriam dar essa garantia.

Há muitos jornais em dificuldades e alguns já deixaram de se editar, nomeadamente regionais. É algo que o preocupe?

É evidente que é preocupante. No entanto existem outros meios de informação, nomeadamente online, que têm sido explorados com êxito pelos jornais superando assim essa dificuldade. Cabe também às autarquias e ao Estado apoiar nas dificuldades.

Há cada vez mais pessoas que optam por ser informadas através do que lhes chega pelas redes sociais. É o seu caso?

Não renego nem restrinjo quaisquer meios de informação. Apenas procuro reter aquela que tenha conteúdos credíveis. Tal como os livros a informação escrita em papel tem um “cheiro” e uma “carícia” tão especiais que o prazer de os ler e manusear é indescritível. No entanto a catadupa de informação gerada ao minuto, a facilidade de ter sempre à mão um “gadget” (dispositivo electrónico portátil) que nos proporciona todo o tipo de conhecimento indicia que o futuro passará por aí.

Consegue explicar, com um ou dois exemplos, como acha que seria a sua vida, a nível pessoal e profissional, num país não democrático?

Vivi durante duas décadas no Portugal não democrático. Por isso conheço essa realidade. A nível pessoal poderei salientar a proibição do direito de expressão e opinião, o autoritarismo e repressão policial. A nível profissional: condições de trabalho indignas e sem direitos, baixa escolaridade para manter mão-de-obra barata.

O que foi para si o 25 de Abril de 1974?

O país abriu as portas para o exterior e pôde colher os frutos da liberdade. Com isso abriram-se estradas, o saneamento básico, as telecomunicações, o ensino, a saúde com o SNS, outros bens essenciais chegaram a praticamente todos os pontos do país tornando-nos numa referência e exemplo para outros povos. Para mim foi o dia que pôs fim à opressão, à censura, à Guerra Colonial. Um dia em que me senti orgulhoso de ser português, de não ter receio de falar, sobre qualquer tema, sem a ameaça de ser denunciado e eventualmente preso por um “bufo”. A convicção que, além da liberdade, criaríamos um país de progresso, fraterno, socialmente justo e sem guerras.

A Inteligência Artificial está presente, cada vez mais, na nossa vida? Sente isso?

É um facto indesmentível que a Inteligência Artificial está já presente na nossa vida. Basta ver a informação que recebemos, por exemplo, nas redes sociais em que os algoritmos conseguem gerar dados sobre assuntos, com velocidade e quantidade longe do alcance da capacidade humana. A ciência, o conhecimento, a investigação, o desenvolvimento, as novas tecnologias, fazem parte da natureza humana sendo impossível travar o progresso porque as novas descobertas produzem novas descobertas.

As alterações climáticas são uma realidade ou há muito exagero no que é apresentado?

Todos os dias vemos, sem a mínima réstia de dúvida, os resultados catastróficos devido às alterações climáticas. Por isso é imperioso um entendimento global urgente para inverter, enquanto é tempo, este flagelo. Tendo consciência desta realidade alterei alguns comportamentos: diminuição do uso de plásticos, utilização de materiais reciclados, reutilização, sempre que possível de copos, sacos, etc, viatura híbrida.

Na Constituição da República estão inscritos os direitos e os deveres dos cidadãos. É capaz de indicar dois ou três dos nossos deveres constitucionais?

Proteger a Natureza; votar para escolher os nossos governantes; respeitar os direitos sociais de outras pessoas.

Qual foi o último texto que leu em O MIRANTE de que gostou?

O artigo intitulado: “Carlos e Suzete numa luta contra o esquecimento” - Carlos Martins cuida da esposa que sofre de demência - publicado 8/10/2023.

Se tivesse que classificar a classe política que vai festejar os 50 anos do 25 de Abril na Assembleia da República que pontuação lhe dava de 1 a 10?

Dava-lhe 4.

O que é que não lhe perguntamos que gostava de responder ?

Considera que a justiça em Portugal funciona em tempo útil?

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