O MIRANTE | 18-11-2023 16:00

Votar é um dever constitucional que metade dos eleitores não cumpriu nas últimas eleições legislativas

Votar é um dever constitucional que metade dos eleitores não cumpriu nas últimas eleições legislativas
36 ANOS DE O MIRANTE
Luís Albuquerque, 56 anos, Presidente da Câmara Municipal de Ourém

Não creio que exista exagero quando se fala nos efeitos das alterações climáticas. O único exagero é o de alguns activistas. O direito à manifestação não se coaduna com ataques físicos a governantes ou vandalismo sobre obras culturais.

Como na maioria das profissões não pode ser jornalista quem quer mas apenas quem está devidamente habilitado para tal. Com o advento das redes sociais surgiu uma vaga enorme de páginas, blogues e outras plataformas que divulgam informação como se de um órgão de comunicação social se tratasse. Só que não obedecem a regras nem à própria Lei de Imprensa. Considero que os jornais, e os órgãos de comunicação em geral, devem ter toda a liberdade possível, desde que respeitem a legislação em vigor.

A experiência que tenho, enquanto utilizador das redes sociais, aponta no sentido da desinformação. Na maioria dos casos o que nos chega através das redes sociais é pura contra-informação. Ou então informação altamente deturpada com impacto no pensamento de milhares de pessoas. É verdade que é muito mais prático ficar a par da informação através das redes sociais, mas acredito que todos devemos ter o cuidado de conhecer a fonte dessa informação e perceber se é fidedigna.

O direito e o dever de estarmos informados é o primeiro passo para o exercício de uma democracia participada. Se a informação deve ser toda gratuita e de acesso livre é uma questão complexa. Os órgãos de comunicação social obedecem a critérios, sobretudo empresariais, porque a sua sobrevivência depende das receitas que geram. Não lhes podemos exigir que liberalizem o acesso aos seus produtos. E não me parece que caiba ao Estado a obrigação de garantir o acesso gratuito à informação. Nos dias de hoje há formas de aceder a informação isenta e rigorosa, seja a pagar ou de forma gratuita. É preciso é que estejamos interessados.

Enquanto cidadão que gosta de estar informado e bem informado preocupa-me o desaparecimento de jornais. Observo com a maior preocupação as dificuldades por que passam os órgãos de comunicação social locais e regionais pois são eles o grande veículo de informação sobre o que acontece fora dos grandes centros decisores. Sem eles cria-se um vazio informativo com o qual todos perdemos. Perdemos nós enquanto cidadãos; perdem as nossas terras porque ficam privadas de importantes veículos de projecção dos territórios, do seu património e do muito que têm para oferecer.

A democracia é um bem essencial e deixamos de ser nós próprios quando vivemos em ditadura. Perdemos a nossa identidade, vivemos na sombra do nosso próprio pensamento. Não é fácil imaginar como seria a minha vida num país sem democracia mas presidente de câmara num contexto de ditadura é que eu nunca seria porque prezo muito os valores da democracia e do seu livre exercício. Estou convicto que, numa situação dessas, todos teríamos uma vida muito mais pobre, em todos os contextos.

Nasci antes do 25 de Abril mas era ainda uma criança quando se deu a Revolução. Só posso falar pelos exemplos que ouvi de outras pessoas que me são muito próximas. A Revolução dos Cravos marca a história de Portugal enquanto garante de um ponto de viragem rumo a um futuro livre. Foi como se soltassem todo um país de uma camisa de forças à qual estávamos presos há várias décadas. Daí para cá crescemos em todos os quadrantes da sociedade numa evolução constante e contínua, se bem que mais rápida nuns sectores do que noutros.

A entrada da Inteligência Artificial nas nossas vidas tem vindo a decorrer de forma gradual. Ainda não a sinto com grande impacto, embora acredite que todos vamos sentir esta influência num futuro próximo. Não estou confortável nem deixo de estar. Mas sempre digo que é preciso cuidado e atenção perante este fenómeno. Pode tornar-se perigosa para o bom funcionamento das instituições e das sociedades se não estivermos atentos e prevenidos para eventuais aproveitamentos desta inteligência artificial, a coberto de intenções menos claras.

Não creio que exista exagero quando se fala nos efeitos das alterações climáticas E concordo com alterações de comportamentos para combater ou minimizar o impacto. Neste contexto o único exagero que tenho vindo a observar é o de alguns activistas. O direito à manifestação não se coaduna com ataques físicos a governantes ou vandalismo sobre obras culturais.

Um dos deveres consagrados na Constituição é o de protegermos a natureza. E há outros, como promover educação, sustento e saúde aos nossos filhos, colaborar com as autoridades e proteger o património alheio, público ou privado. E votar! Votar é um dever constitucional que metade dos eleitores não cumpriu nas últimas eleições legislativas, por exemplo. Isso não respeita o legado, nem os valores de Abril, nem a própria Constituição da República Portuguesa.

Sou leitor assíduo há vários anos, tanto da edição impressa como da edição online de O MIRANTE. Em cada edição não há um texto em particular, mas muitos em geral, dos quais gosto. Gostei, por exemplo, da reportagem que fizeram agora sobre a apanha da azeitona. Sem bem me recordo, era a propósito da “Oficina do Azeite”, na Serra de Santo António, terra dos nossos vizinhos de Alcanena. Gostei dos textos e da reportagem fotográfica, mas sobretudo da valorização de uma tradição como aquela. É fundamental que o jornalismo observe e privilegie a actualidade, mas é também imperativo que o jornalismo não deixe cair no esquecimento tradições que fazem parte da nossa história. Gostei muito.

Ourém é um concelho em franca evolução, cada vez mais forte e atractivo do ponto de vista económico e financeiro. Somos cada vez mais procurados por milhares de turistas de todo o mundo. Temos Fátima e o Santuário como porta de entrada, mas também temos o Castelo da Vila Medieval de Ourém, um dos mais imponentes, bonitos e melhor conservados de Portugal; a Praia Fluvial do Agroal; o teatro municipal que se tornou uma das grandes salas do país, graças à excelência da sua programação e o Monumento Natural das Pegadas dos Dinossáurios. Estamos a apenas uma hora de Lisboa e duas do Porto, com excelentes e rápidas ligações do ponto de vista viário e ferroviário e por isso fica o desafio para nos visitarem.

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