Directora executiva diz que O MIRANTE é a voz da região ribatejana
Joana Salgado Emídio, directora executiva de O MIRANTE, abriu a 21ª edição dos prémios Personalidades do Ano, a realçar a importância do trabalho editorial e do espírito de equipa na empresa editora do jornal
"Quem me conhece sabe que não sou jornalista, que falo com eles todos os dias, mas que não é a minha profissão. Mas quem é que se atreve a desempenhar o cargo de directora executiva de uma empresa editorial sem admitir que o trabalho dos jornalistas não lhe ocupa uma boa parte do tempo, nomeadamente a gerir sensibilidades, agendas, cartas à administração, queixas na polícia, idas a tribunal, o dever com que equilibramos as contas, os recursos humanos, que são o coração e os pulmões de uma empresa?
“Quem é que acredita que certos dias não me veja da cabeça aos pés a ajudar a fazer de sub-chefe de redacção, não escrevendo, mas ajudando a organizar, não interferindo, mas dando opinião, querendo tempo para o meu trabalho, mas tendo que ajudar no trabalho dos outros?". Foram estas as
iniciais da directora executiva, Joana Salgado Emídio, na abertura da cerimónia das Personalidades do Ano, iniciativa de O MIRANTE que está a decorrer esta quinta-feira, 26 de Fevereiro, no Convento de São Francisco, em Santarém.
Num discurso de cerca de 10 minutos, a directora executiva de O MIRANTE lembrou os tempos em que viu crescer o jornal, a importância do 25 de Abril na liberdade de informação, e os maus tempos da política em mais de 50 anos de democracia. "Sabemos hoje como fomos boicotados por políticos que venderam a alma ao diabo, que em vez de governarem governaram-se, criaram máfias dentro dos organismos do Estado e instalaram interesses que agora demoram a desmontar", disse.
Sobre o jornal realçou que o jornalismo que se pratica em O MIRANTE tem, desde o início, a “marca do regionalismo. Há duas décadas, talvez um pouco mais, vemos como os jornais e as rádios vão caindo do pedestal depois do mundo ter mudado ao nível das tecnologias, da aposta nos canais de streaming, na diversidade dos canais de televisão que nos entram pela casa ou pelo telemóvel ou computador. O jornalismo está em crise, e não é nem de longe nem de perto a mais velha profissão do mundo. Diria que precisamos de um 25 de Abril só para a comunicação social que tem que dar voz às populações e aos governos locais e regionais, como por exemplo na vizinha Espanha, mas também na grande maioria dos países da Europa”.
Para a directora executiva “não faz sentido que os partidos fundadores da nossa democracia não nos deem interlocutores se não morarmos em Lisboa e não tivermos os contactos que resolvem assuntos nos departamentos do Estado. A comunicação social hoje, mais do que nunca, é o espelho do país. Apesar de sermos a nível regional um projecto único, podíamos ser ainda melhores se o país estivesse organizado para não termos esta debandada de pessoas para o litoral e para a grande área metropolitana de Lisboa. Precisamos de ter cuidado com as tempestades, pois nunca sabemos se para o ano vamos ter outra como já tivemos este ano, mas com a administração do país, a organização política e administrativa, tudo depende das nossas lideranças e da nossa capacidade de sermos ou querermos ser como os melhores do mundo civilizado".
Ainda sobre o papel de O MIRANTE na comunidade ribatejana salientou que “palavras leva-as o vento” mas que tem sempre “esperança que uma ou outra fique no ar e se faça ouvir. Por isso é que todos os anos por esta altura aproveitamos para puxar pelo país real”, vincou, lembrando que o que reúne tantas pessoas e entidades é uma iniciativa organizada há 21 anos onde “quem recebe é quem merece ter a palavra”.
“Nesta edição vamos premiar personalidades que nos dão a honra de virem receber o prémio. A vida pública e de serviço público a que estão dedicados tem este intervalo pelo meio para cumprirmos uma missão que também é importante para a nossa auto-estima. É de auto-estima que quero falar a terminar para saudar também os líderes das autarquias que estão nesta sala. As últimas eleições autárquicas deram mais um safanão na mediocridade. O poder autárquico está a ficar mais forte, com pessoas que veem mais longe do que o fundo da sua rua, não há razões para duvidarmos que vamos inverter o ciclo dos anos tristes que já vivemos”, rematou.


