Pacheco Pereira diz que devemos aceitar a tecnologia mas não nos devemos deslumbrar
José Pacheco Pereira, recebeu o prémio Personalidade do Ano, atribuído por O MIRANTE,
José Pacheco Pereira, prémio Personalidade do Ano, atribuído por O MIRANTE, considera que há um deslumbramento tecnológico que é prejudicial, que leva a uma diminuição do vocabulário, factor que facilita a ignorância. Na cerimónia em que recebeu o prémio, ao início da noite desta quinta-feira, 26 de Fevereiro, no Convento de S. Francisco em Santarém, o professor, comentador, historiador e guardião do maior arquivo português de memórias, através da Ephemera, disse que devemos aceitar a tecnologia, mas devemos rejeitar o deslumbramento tecnológico. Porque, acrescenta, os seres humanos são analógicos.
Pacheco Pereira disse que há coisas que funcionam melhor em papel, sublinhando, numa analogia também aos jornais, que não lê da mesma forma em papel que no digital. Realçou ainda que com este deslumbramento pela tecnologia se estão a criar novas exclusões e, ressalvando que não é contra a tecnologia, salientou que não se pode substituir um texto literário por um digital porque não se consegue ler num telemóvel, reafirmando que os sentidos humanos são limitados.
O premiado destacou ainda que a comunicação social tem hoje um papel muito importante no combate à mentira veiculada pelas redes sociais. “Antigamente dizia-se que a mentira tinha perna curta, agora tem perna longa”, realçou, dizendo que é preciso fazer com que volte a ter perna curta.


