Vítor Oliveira resiste numa profissão em vias de desaparecer
Há quase 40 anos que o sapateiro trabalha na pequena loja da Rua 5 de Outubro, onde herdou do pai um ofício em risco de desaparecer.
Vítor Oliveira cresceu entre sapatos, ferramentas e máquinas, no espaço onde o pai já exercia a profissão em Samora Correia. O contacto com a sapataria começou cedo e depressa deixou de ser apenas uma ajuda ocasional para se transformar numa vida inteira dedicada ao mesmo ofício.
Quase quatro décadas depois, continua à frente de uma actividade que foi obrigada a adaptar-se às mudanças do mercado e dos hábitos de consumo. Se antes o espaço se centrava sobretudo na reparação de calçado, hoje também assegura serviços como duplicação de chaves, conserto de malas e venda de acessórios, numa estratégia que lhe permitiu manter a porta aberta.
Apesar dessa capacidade de adaptação, Vítor Oliveira olha com preocupação para o futuro da profissão. A menor durabilidade do calçado, a falta de jovens interessados em aprender o ofício e a desvalorização das profissões manuais são alguns dos factores que, na sua opinião, colocam a sapataria tradicional em risco de desaparecer.


