Material combustível acumulado é risco acrescido na época de incêndios que se avizinha
Lezíria do Tejo apresentou dispositivo especial para combate a incêndios rurais, numa altura em que as consequências das tempestades do último Inverno ainda se fazem sentir na mancha florestal e agravam o risco.
O comandante sub-regional de Emergência e Protecção Civil da Lezíria do Tejo, Hélder Silva, garante que a região mantém um nível de preparação “idêntico” ao do ano passado para a época de incêndios, mas alerta que as tempestades do último Inverno agravaram o risco devido à acumulação de material combustível nas zonas florestais e acessos dificultados.
Falando na sessão de apresentação do Plano de Operações Sub-regional, no âmbito do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) 2026, que decorreu na tarde de 13 de Maio no Salão Nobre da Câmara Municipal de Santarém, o comandante sub-regional alertou que as condições no terreno são mais exigentes este ano, na sequência das tempestades que atingiram o país no início de 2026. “Temos muito material lenhoso dentro das propriedades, muitos caminhos interrompidos e deslizamentos de terras que nos podem provocar dificuldades no acesso”, disse, referindo que estes factores podem condicionar o combate aos incêndios.
Hélder Silva considerou que a acumulação de madeira e sobrantes florestais representa “um potencial acelerador” de incêndios, pois grande parte desse material não foi removido. “Muita limpeza não foi feita porque choveu muito e depois os recursos foram canalizados para a recuperação das habitações e propriedades, ficando a floresta para segundo plano”, explicou.
O responsável acrescentou que, em muitos casos, os proprietários não têm capacidade financeira para retirar o material lenhoso dos terrenos, o que agrava o risco. “Esse material vai secar, vai ficar desordenado, vai impedir acessos e é um potencial acelerador daquilo que podem ser os incêndios”, afirmou Hélder Silva.
A juntar a isso, o comandante apontou ainda a necessidade de renovar meios, nomeadamente veículos dos corpos de bombeiros, alguns dos quais “já com algum desgaste” e à espera de reparação, defendendo também o reforço de recursos humanos. Na Lezíria do Tejo, as zonas já historicamente mais vulneráveis são também as mais afectadas por este aumento de risco, nomeadamente áreas com maior mancha florestal, apontando como exemplos a zona de Rio Maior e o concelho da Chamusca.
409 operacionais a postos no período crítico
O dispositivo terrestre da sub-região da Lezíria do Tejo acompanha uma lógica de reforço progressivo ao longo do período de risco, atingindo o seu pico na fase Delta, entre Julho e Setembro. Nesse período, estão previstos 103 equipas, 409 operacionais e 103 veículos, incluindo 27 equipas adicionais mobilizáveis em permanência de 24 horas, destinadas ao ataque ampliado.
Antes da fase mais crítica, o dispositivo é gradualmente reforçado, passando de 50 equipas e 217 operacionais na fase Bravo, entre 15 e 31 de Maio, para 67 equipas e 286 operacionais em Junho (fase Charlie), numa evolução que acompanha o agravamento do risco de incêndio. Além de operacionais dos corpos de bombeiros, integram também o dispositivo elementos da Unidade de Emergência de Protecção e Socorro (UEPS) da GNR, sapadores florestais do ICNF e da Afocelca e operacionais da Força Especial de Protecção Civil e das Forças Armadas.
Relativamente aos meios aéreos, o dispositivo na Lezíria do Tejo contempla a presença de meios ao longo das diferentes fases de empenhamento operacional, com até três aeronaves em simultâneo durante o período mais crítico, entre Julho e Setembro, incluindo helicópteros de ataque inicial e aviões médios de combate a incêndios.


