O MIRANTE TV | 21-06-2026 09:53

Fandango dá compasso ribatejano ao Dia Europeu da Música

Fandango dá compasso ribatejano ao Dia Europeu da Música

Entre acordes, passos cruzados e desafios de destreza, a dança que se tornou símbolo do Ribatejo continua a afirmar-se como expressão viva de uma cultura onde a música também se faz com os pés.

No Dia Europeu da Música, celebrado dia 21 de Junho, o Ribatejo encontra no fandango uma forma particular de mostrar como o som se transforma em movimento. Dança de raízes antigas, referida em Portugal desde o século XVIII e enraizada em várias regiões do país, o fandango ganhou na Lezíria uma expressão própria, marcada pela pujança dos bailadores, pelo jogo de pés e por uma ligação profunda à cultura popular.
A versão mais conhecida no Ribatejo é o chamado Fandango da Lezíria, geralmente dançado por dois campinos vestidos com fato de gala. Frente a frente, os bailadores desafiam-se numa espécie de duelo de agilidade, coragem e altivez, acompanhados por formas musicais que podem passar pelo acordeão, pela gaita-de-beiços, pelo pífaro, pelo harmónio ou pelo clarinete.
Associado no passado à sedução entre homem e mulher, o fandango atravessou salões, teatros populares, ruas, feiras, festas, tabernas e campos, até chegar aos grupos de folclore que hoje o recriam. No Ribatejo, as suas variantes mantêm vivo um sentido de pertença que resiste à passagem do tempo, ainda que já não se dance ao desafio nas tabernas como noutros tempos.
Essa herança continua também nas gerações mais novas. Dois fandanguistas do Rancho Típico Saia Rodada, de Benavente, como o são Samuel Correia, que vive em Vila Franca de Xira, e Afonso Gomes, neto da presidente da colectividade, ajudam a levar para o presente uma dança que descreve, em ritmo e movimento, aquilo que foi e ainda é o Ribatejo.

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