Opinião | 13-06-2019 00:06

A Feira da Agricultura podia ser um exemplo mas não é

Está aí outra Feira do Ribatejo e a única diferença dos anos anteriores é o aumento dos parques de estacionamento à volta do CNEMA.

Todos os bocadinhos do dia que consigo guardar para mim depois de largar o trabalho são para ir apanhar ameixas, nêsperas e laranjas, e regar as árvores de fruto e olhar o Tejo depois de atravessar uma pequena seara de milho.

Neste último fim-de-semana não fiz quase nada e os dias passaram a correr. Quase que não li jornais e mais uma vez não fui à Feira da Agricultura; nem à festa do Bodo à Azinhaga; nem à FICOR, em Coruche, uma feira a que não deveria faltar por ser das mais importantes para o mundo rural em que ainda vivo e gostava de continuar a viver mais uns tempos.

Em Coruche ninguém paga para entrar na festa; nem na Azinhaga; a Feira da Agricultura em Santarém é nacional mas eu preferia que fosse local, a exemplo da feira de S. Martinho que faz da Golegã a capital do país durante meia dúzia de dias e deixa a vila num sobressalto desgraçado para bem de quase todos.

É por causa dos cavalos que a Golegã não tem casas a cair e as que existem para venda são poucas e caras. A meia dúzia de quilómetros, para norte, sul, este e oeste, as casas à venda são às centenas, e o número de habitações degradadas e abandonadas é um espelho dos maus tempos que se vivem no interior do Ribatejo a exemplo do que já acontece há muitos anos no norte do país e no Alentejo profundo.

Até há poucos anos Abrantes era a referência a norte de um território em perigo de desertificação e massa crítica. Agora fala-se abertamente em Santarém do que dantes se murmurava de Abrantes. As casas senhoriais na Chamusca, que fica a meio caminho, estão à venda e ninguém as quer comprar. Por isso é que a Feira de S. Martinho é um exemplo para a dinamização de uma terra e de um território. A Feira da Agricultura, da forma que é organizada, não passa de uma feira de espectáculos e de artesanato, única no país, mas que passa ao lado da economia da cidade e da região e dos seus interesses mais prementes.

Há um novo presidente no CNEMA mas os que mandam são os mesmos dos últimos 20 anos. Estão ali para ganharem dinheiro em nome da CAP, uma associação que já foi de agricultores mas hoje é uma rede de negócios. A Feira da Agricultura é uma das suas fontes de receita com o que pagam os expositores, os patrocinadores e os visitantes. Tudo em nome de uma associação de agricultores que se está marimbando para o tecido económico do concelho e da região.

É verdade que a CAP não é uma Santa Casa nem uma associação de benfeitores. Mas há limites para a exploração de uma Feira que já foi a cara da cidade e o orgulho dos escalabitanos. Nesta altura, pelo que é do conhecimento público, os escalabitanos são os primeiros a ignorarem a Feira e a criticarem a organização por não trazer nada de novo e significativo à cidade e à sua vida cultural e económica (com excepção do aumento significativo de parques de estacionamento para serem usados uma vez por ano). JAE

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