Opinião | 04-11-2019 15:00

A inspiração do momento!

A inspiração do momento!
Opinião

De cada adversidade haverá uma conclusão para ser retirada e a inteligência coletiva de cada escola superior saberá construir melhores e mais eficazes respostas.

O momento actual é profundamente inspirador. Não deixa de estar marcado por contingências de todo o tipo, boa parte das vezes na sua expressão puramente financeira, administrativa ou burocrática, mas importa que as escolas de ensino superior politécnico tomem para si a iniciativa perante os desafios contemporâneos que nos estão colocados. De cada adversidade haverá uma conclusão para ser retirada e a inteligência coletiva de cada escola superior saberá construir melhores e mais eficazes respostas.

A atracção e fixação de talento numa escala crescentemente internacional, a constante compatibilização de cada oferta formativa com os paradigmas tecnológicos e os novos contextos sociais ou ainda a indispensável orientação para a qualidade e a eficiência formativa, só para referir alguns dos desafios do momento, podem apresentar-se antes de mais como verdadeiras oportunidades de desenvolvimento institucional. É sobretudo assim se considerarmos que a transformação digital da sociedade ou o futuro das relações laborais – só para deixar estes dois exemplos – vêm redistribuir cada um dos papéis a que nos havíamos habituado.

É por isso encorajador que, no contexto de forte pressão demográfica em que vivemos, existam no presente ano lectivo mais candidaturas de estudantes ao concurso nacional de acesso para ingresso nos cursos de Licenciatura ao mesmo tempo que o interesse e a procura por cursos de TeSP (2 anos) se tenha reforçado grandemente. A procura de estudantes internacionais e o interesse reforçado pelos cursos de Mestrado permitem a manutenção de um estado de espírito confiante.

A ESGTS (Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Santarém) funciona, no presente ano lectivo, em reforço do número total de estudantes já para além de anteriores máximos históricos, sendo que o principal contributo tem origem na oferta de cursos de Licenciatura, em regime predominantemente diurno, a par com o reforço da procura em cursos de TeSP e a manutenção da procura dos cursos de Mestrado. Em resumo, assistimos a um crescimento moderado do número de estudantes, em resultado do esforço de valorização da nossa oferta formativa, situado tanto no plano da diversificação das tipologias de formação como quanto aos domínios científicos predominantes na nossa oferta.

Significa antes de mais que os jovens e as suas famílias compreendem que os mais elevados níveis de escolarização (mais tempo de escola e a realização de formações de nível mais avançado) são a solução fundamental perante cada um dos grandes desafios situados nos vários planos (social, educativo e laboral). Significa ainda que a ESGTS soube adequar a sua oferta formativa e a escolha destes jovens responsabiliza-nos grandemente.

Portugal não pode recusar o desafio de qualificação de toda a sua população! Não podemos aceitar que se considere que a sucessão geracional é o instrumento que resolverá o deficit de qualificação ainda existente. Sobretudo se os jovens não parecem prosseguir estudos avançados ou especializados, ou ainda se o insucesso e o abandono não têm uma resposta organizada.

Um relatório recente do Fórum Económico Mundial sobre as “profissões do futuro” estima que mais de 50% das profissões sejam novas, dentro de apenas duas décadas. O ensino superior tem por isso que renovar o seu compromisso com a difusão do conhecimento científico e tecnológico, num registo sólido e eficaz, perante a emergência de novos conhecimentos científicos e os novos domínios de aplicação do conhecimento produzido.

A resposta terá ainda que ser o reforço das nossas competências individuais, a capacitação em vários domínios e, sobretudo, a disponibilidade para aprender continuamente ao longo da vida. As escolas superiores, em particular do subsistema de ensino politécnico têm por isso que procurar ativamente os conteúdos e as tipologias de ensino, os públicos e os recursos pedagógicos mais adequados em resposta aos compromissos de qualificação nacionais e locais.

A ESGT vem realizando um esforço de ajustamento da sua oferta formativa. Aceitámos imediatamente o desafio de implementar as novas tipologias de formação, como sejam os cursos de TeSP (Técnico Superior Profissional) ou, noutro plano, o registo de cursos em parceria com outras Instituições de Ensino Superior. A preocupação com a eficiência formativa e com a qualidade dos ciclos de estudos assumiram ainda maior centralidade. Muito em breve serão do conhecimento de todos mais algumas das novas iniciativas que tomámos em domínios de qualificação e formação, em resposta a espaços concretos de intervenção.

Nesta fase, a ESGTS procura ainda valorizar o seu relacionamento com a comunidade envolvente, sem prejuízo da atenção necessária que daremos a todos os outros vectores da nossa intervenção. A cooperação com as empresas e as organizações de diversa ordem, a prestação de serviços ou ainda o desenvolvimento conjunto de projectos de investigação orientada são os contributos que a ESGTS terá que dar perante a necessidade de contribuir para o reforço do seu papel no desenvolvimento regional.

Termino com uma referência de todos conhecida: “a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo – Peter Druker”. Façamos nós aquela parte que nos compete – até porque se fosse fácil não teríamos grandes motivos para sublinhar cada resultado positivo!

Vítor Costa

director da Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Santarém

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