Opinião | 09-01-2020 07:00

O Ribatejo e o Alentejo para começar o ano de olhos abertos e espírito construtivo

Não vivemos no melhor dos mundos mas acredito que podemos e devemos fazer muito mais e melhor nos nossos territórios ribatejanos. Para isso precisamos de trabalhar mais e falar menos: como os nossos vizinhos alentejanos.

O ano que agora começa (2020) é tão redondinho nos números que deixa uma sensação de conforto e de esperança em dias melhores.

A região ribatejana só pode evoluir e melhorar. Temos concelhos já tão pobres e com tão pouca população que se não tivermos opinião e não suarmos as estopinhas algumas das nossas aldeias vão ficar como as da região transmontana: sem gente e com o casario em ruína.

Vamos acreditar que se perdermos população, o que parece inevitável, não perdemos cidadania; que não nos reformamos do nosso sentido crítico mas construtivo; que saberemos chamar os bois pelos nomes e não pactuaremos com os políticos e os dirigentes, sejam eles quais forem e a que classe pertençam, que não nos demitiremos de os criticar e elogiar quando merecerem.

É uma grande mentira a ideia que passamos de que nos faltam motivações para lutarmos por um futuro melhor. É verdade que não vivemos em estado de guerra; que não corremos o perigo de uma epidemia; que não falta trabalho para quem quer trabalhar; que o Estado funciona apesar de tudo; mas não é menos verdade que somos dos países mais atrasados do primeiro mundo; que temos um ex-primeiro ministro na praça pública acusado dos crimes mais vergonhosos, dos comportamentos mais arrogantes, alguns deles ridículos que até causam dó. Temos o maior banqueiro do país a tentar escapar da prisão e os gestores mais importantes e mais badalados dos últimos tempos a serem acusados de corrupção, com provas irrefutáveis, como é o caso de Zienal Bava, o menino bonito da imprensa portuguesa que foi considerado um exemplo como gestor.

Na região ribatejana temos o Tejo, o Alviela, o Nabão e o Almonda poluídos de forma indigna. Não temos uma Rua Augusta, que acaba num Terreiro do Paço, mas temos cidades como Tomar, Ourém, Abrantes, Torres Novas, Santarém, Almeirim e Vila Franca de Xira, que pedem meças em termos de património histórico. Tomar e Santarém podiam ser já este ano um caminho turístico obrigatório para os peregrinos de Fátima; a Rua Augusta e a Rua Garrett, Sintra e Cascais, não são definitivamente o melhor que os portugueses têm para mostrar aos turistas. As nossas aldeias, caso de Amiais de Cima, só para dar um exemplo, já têm unidades de turismo rural ao nível do melhor da Europa. Só falta fazer no Ribatejo aquilo que já se faz com muito êxito no Alentejo. E ainda há quem diga por aqui, de mão na cintura, como os toureiros, que os ribatejanos metem os alentejanos a um canto. Vamos a Évora e ficamos de boca aberta, já é uma cidade modelo, e daqui a muito poucos anos vai ser das mais badaladas do mundo, a confiar no modelo de crescimento que está a ter. É verdade que têm o maior lago da Europa mas nós temos o melhor rio do mundo. Quando vou a Évora sinto-me em casa, na minha terra, com uma diferença: tenho à mão de semear o melhor que encontro nas grandes cidades do mundo. JAE.

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