Opinião | 19-05-2020 15:00

Distinguir um lar legal de um ilegal e saber escolher a miúda mais gira da praia

Distinguir um lar legal de um ilegal e saber escolher a miúda mais gira da praia
OPINIÃO

Emails do Outro Mundo

Destemido Serafim das Neves

Fiquei a saber que, no distrito de Santarém, há para cima de cento e trinta lares de idosos que não têm licença para funcionar, mas que funcionam, o que me leva a concluir que a licença é uma espécie de apêndice do lar. Não serve para nada.


A nível nacional, dizem, há uns bons três mil e quinhentos lares sem apêndice...perdão, sem licença para funcionar. Infelizmente não me foi possível saber se há mais lares com ou sem licença e também não sei se o pessoal que lá vive gosta mais dos sem licença ou com licença.


Há pessoas que quando ouvem estas notícias começam logo a pedir o encerramento dos chamados lares ilegais. Precipitam-se é o que é. Se cada lar tiver, em média, uma dezena de residentes, são mil e trezentas pessoas que vão passar a dormir ao relento se os lares fecharem. Ou então vão dormir para casa dos filhos que, por não pararem em casa muito tempo, os foram meter nos tais lares. E os funcionários desses lares vão para o desemprego.


Resumindo, é melhor mesmo esquecer este assunto, como aliás tem sido feito ao longo de anos e anos, ou então dar prémios PME Excelência aos lares que funcionam há tanto tempo sem autorização, porque criam emprego e acolhem pessoas que estavam condenadas a estar sozinhas em casa, à espera que os filhos viessem do trabalho.


Se quiserem também podem aproveitar o 10 de Junho e condecorar esses empreendedores do sector social que não cruzam os braços só porque lhes falta um papelinho a garantir que todos os azulejos das casas-de-banho são da mesma cor e que qualquer cadeira de rodas consegue passar nos corredores sem riscar as paredes.


A oito de Maio celebrou-se o Dia Internacional do Burro. Ainda fui à janela para ver se os meus vizinhos tinham posto velinhas acesas ou se iam cantar alguma cantiga alusiva à efeméride mas percebi que os burros nem aplausos iriam ter, coitados. Felizmente as televisões não os esqueceram e pude, ao longo da noite, ouvi-los zurrar alegremente, tanto nos telejornais como em programas especializados.


Continuando na área animal, fiquei agora a saber que o dono dos cães de raça pitbull que, em Janeiro, atacaram à dentada, duas funcionárias do hospital CUF, em Santarém, não se acusa. Esta atitude comove-me e mostra que a bondade humana está viva. Já viste se ele aparecesse e metesse um processo às senhoras, por terem provocado tal stress aos pacíficos animais, que os fizeram ficar fora de si?! Eram condenadas por maus tratos a animais ou não eram?!


E não vale a pena dizer que o pitbull é um cão perigoso porque não é. Toda a gente sabe que os exemplares daquela raça são meigos e fofos. Eu pelo menos farto-me de ouvir os amigos dos animais dizerem isso. E quem sou eu para duvidar?


Ando há dias a tentar tirar senha para uma carrada de praias aqui mais perto de nós, como a Nazaré, S. Martinho do Porto ou Peniche mas nunca mais abrem as inscrições. Parece que o Governo ainda está a acertar as coisas com o nosso especialista em praias, Marcelo Rebelo de Sousa, que por acaso também é o nosso Presidente da República.


No fim-de-semana estive a ver reportagens com polícias a mandarem banhistas sair das praias. Uma coisa que reparei é que na maior parte dos casos os polícias só iam ter com as raparigas mais jeitosas e em biquini. Aquilo deu-me alguma esperança. Com esta barriga e as costas tão peludas acho que nenhum se irá aproximar de mim.
Saudações veraneantes
Manuel Serra d’Aire

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