Opinião | 21-10-2020 18:00

Toca a adoptar, a empobrecer e a raspar... para a nossa vida melhorar!

Toca a adoptar, a empobrecer e a raspar... para a nossa vida melhorar!
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Imarcescível Serafim das Neves

Estou aqui a escrever-te com um olho no Canal Parlamento, para saber se vai ser aprovada uma proposta da deputada Cristina Rodrigues, que já foi do PAN, mas que agora trabalha por conta própria.

Ela quer que sejam consideradas justificadas as faltas dadas por morte de animais de estimação e, como calculas, já estou a analisar aquela janela de oportunidades, digamos assim.

Vais dizer que não tenho animais de estimação mas isso eu resolvo facilmente. Aqui perto há um canil municipal que está sempre a fazer campanhas de adopção de cães e, pelo que já vi, há por lá muitos candidatos a ser adoptados, alguns dos quais só continuam vivos porque agora, graças a deputados como Cristina Rodrigues, não podem ser eutanasiados.

Se a proposta dela for aprovada, acho que esses canídeos mais frágeis e doentes vão ter muita saída. Uma falta justificada é como um dia de férias. Não se perde a remuneração e conta para efeitos de promoções e para a reforma. Quem é que vai perder uma oportunidade daquelas?

Dar conforto, boa comidinha e analgésicos a um cachorro, durante algum tempo, passou a valer ouro. Deve ter sido a melhor lei de protecção dos animais que conheço. E para benfeitores como eu, vale mais que o tal IVAucher que o Governo quer criar e que só dá três euros por cada conta de 24 euros que a gente pague num restaurante. Além disso a lei Cristina como eu acho que deve ser baptizada, vai acabar com a sobrelotação dos canis.

Esta deputada vai longe e espero que nas próximas eleições se candidate por Santarém para poder votar nela. Entretanto estou a verificar o tempo médio de vida dos animais que podem ser considerados de companhia. Sabias que uma borboleta, daquelas lindíssimas, que qualquer pessoa gosta de ter como animal de companhia, dura apenas meia dúzia de semanas?! Muitos desgostos vou eu apanhar devido ao falecimento de animais de companhia. Desgostos e...faltas justificadas!

O Governo teve a bela ideia de criar mais uma raspadinha e o argumento é arranjar dinheiro para a recuperação de património cultural. Espero que os municípios se apressem a criar as suas próprias raspadinhas, seja para alcatroarem ruas, seja para comprar máquinas de limpeza urbana. Se assim for, de cada vez que houver reclamações, a resposta passa a ser apenas uma: “Se querem obras, comprem a raspadinha!”.

Tenho acompanhado a telenovela do Orçamento de Estado e, para além das cenas de namoro, ciúmes, ameaças e promessas, fico sempre com uma grande vontade de ganhar metade do que ganho, para poder ser abrangido pelas medidas do Governo.

Com um ordenado de mil e cem euros por mês não me calha nada, mas se ganhasse o ordenado mínimo nacional, por exemplo, ou se fosse reformado e tivesse uma pensão abaixo dos 658 euros, aí sim, seria aumentado, beneficiado, isentado e por aí fora. Bolas, quem me manda a mim ser rico?!

Saudações milionárias

Manuel Serra d’Aire

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