Opinião | 13-01-2021 15:00

Tanto alarido e só nos mandaram umas amostrazitas comerciais da vacina

Tanto alarido e só nos mandaram umas amostrazitas comerciais da vacina
OPINIÃO

Emails do Outro Mundo

Vacinável Serafim das Neves

Ano após ano, na passagem de ano, desejo uma bom ano a toda a gente. Este ano, depois de tudo o que aconteceu, optei por ficar bem caladinho, porque isto anda tudo muito incerto.

A única certeza que tenho nesta altura é a da fiabilidade dos políticos. Eles nunca falham, nomeadamente quando desatam a prometer seja o que for. A gente ouve e já sabe que não vão cumprir nada daquilo. E isso, parecendo que não, dá-nos alguma tranquilidade.

Perto do fim do ano foi anunciado um plano de vacinação contra a Covid-19 que, passados dois dias, já tinha começado a falhar. Se em dois dias o atraso no plano de vacinação já era de um mês, é certo e sabido que a meio de Janeiro terá atrasado um trimestre, no mínimo. É o que eu digo. Fiabilidade a toda a prova. Quem é que não sabia, que iria ser assim?!

A vacinação iniciou-se com televisões em directo e ministros a assistir. Calculo que tenha havido um “casting” para escolher os profissionais de saúde mais mediáticos. As vacinas eram poucas e foram distribuídas com critério para todos ficarem na fotografia. Foi uma espécie de divisão de amostras comerciais do laboratório, pelas aldeias. Só para cheirarmos os tais anti-corpos.

Não houve banda de música porque era difícil manter a distância social entre trombones e flautas mas houve emoção a rodos e nem sequer faltou um episódio anedótico. Desta vez foi o da polícia a bloquear uma carrinha de vacinas porque, calcula tu, estava a ser escoltada pela GNR, em terrenos da PSP. O que vale é que o ministro mandou logo abrir um inquérito urgente, que deverá estar pronto lá para o Natal do ano que vem, calculo eu.

Ao fim de dois dias de vacinação em directo, a coisa amainou porque se esgotaram as amostras da vacina. E porque vacinar também cansa. Mais uns dias àquele ritmo e ainda apareceria por lá alguém a anunciar uma greve para reivindicar um aumento para o enfermeiro vacineiro, ou coisa que o valha.

Serafim, a Covid-19 acabou com as invasões de campo, nomeadamente no futebol, mas fez surgir invasões de novo tipo, que ainda não é possível classificar. Já tivemos a invasão de uma missa, no Entroncamento e a invasão de uma reunião de câmara em Abrantes. E não foi para pedir autógrafos, ou para arejar mamocas ou pirilaus em passo de corrida a fugir aos seguranças, como por vezes acontecia nos estádios.

Na missa houve um pedido para a saída dos cristãos de África. Em Abrantes houve a reivindicação de um terreno que já tem dono. E houve mais diferenças. O invasor anti-cristianismo, quando foi interpelado pelo padre respondeu-lhe com um imperativo “Cala a boca!” . O invasor de Abrantes, que tentou dar uma valente cajadada no presidente da câmara, em vez do “cala a boca”, optou por um “fecha a porta”. Não queria ser interrompido a meio da função, o magano!

O destino dos invasores foi distinto. O da missa foi mandado em paz e levado a casa no carro da polícia, para não se cansar muito. O do cajado, a quem já chamam pastor de autarcas, também foi levado num carro da polícia mas para a prisão. A discriminação está por todo o lado.

Saudações injectáveis

Manuel Serra d’Aire

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