Opinião | 06-06-2021 14:28

Do PS para o Chega, a lista negra de artistas nas festas da Azambuja.

No seguimento de uma carta aberta pelo fim da transmissão de touradas na RTP, Maria Inês Graça Louro actual presidente da junta de freguesia de Azambuja eleita pelo Partido Socialista, pôs definitivamente o pé na poça.

Numa publicação numa rede social que depois foi retirada, a junta escreve : “Comunica-se que em todo e qualquer espetáculo que eventualmente venha ainda a realizar-se este executivo terá em consideração na escolha dos artistas o facto de os mesmos se terem ou não manifestado contra as nossas tradições!”.

Não discutindo o tema das touradas, a presidente de junta ao criar uma lista negra de artistas afirmando ao Observador que “ nem sequer consigo perceber a polémica”, abre espaço para uma polémica em que, entre falar e estar calada, a segunda hipótese seria a mais sensata, dizendo ainda mais : “seria afrontar os nossos parceiros da festa e as pessoas que participam trazer alguém que subscreve uma coisa para acabar com as nossas tradições“.

O que a agora apoiante do Partido Chega, talvez não entenda, é que possivelmente quem assina uma carta aberta está democraticamente a emitir uma opinião, que, concordando-se ou não, haverá toda a legitimidade de a dar. Dirá: da mesma forma que a junta contratará para as suas festas quem bem entender. Certamente que sim , mas ficamos todos a saber que há um critério específico: “ a única coisa que digo [na publicação] é que vamos ter em atenção. Não digo que não vamos contratar, digo que vamos ter em consideração, será um dos critérios que vamos ter em atenção”.

Isto é, para existir a hipótese de um artista puder actuar nas festas de setembro, não pode de forma alguma ter opinião sobre a transmissão de touradas na RTP.

Arrisca assim a senhora presidente a não ter artistas de relevo nas suas festas, pura e simplesmente, porque a sua maioria tomou livremente uma posição; que é como quem diz, uma opinião. Mas se há algo que podemos todos retirar deste triste e lamentável episódio, é a coragem da senhora presidente, em ser clara como a água, tornando assim público a sua posição, mesmo sendo ela disforme da génese democrática, onde lhe assenta que nem uma luva, o seu novo partido.

De qualquer forma uma certeza porém tenho: que certamente muitos dos artistas que deram a sua opinião que tanto incómodo causou à senhora presidente de junta da Azambuja, terão nos seus espetáculos, o espectáculo de povo que é o povo da Azambuja.

Sérgio Guerreiro

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