Opinião | 06-10-2021 21:00

A vindima de cu ao léu, a derrota da lapa gorda e o até já do feitor

A vindima de cu ao léu, a derrota da lapa gorda e o até já do feitor

Votante Serafim das Neves

Aqui há dias um grupo de nudistas andou a vindimar perto de Grândola. Foi uma excelente iniciativa e, pelo que sei, no momento da apanha, ninguém confundiu uvas com marmelos, nem com tomates ou bananas da Madeira.

Sempre quero ver a que preço vai ser vendida cada garrafa de vinho feita a partir daquela vindima e que designação lhe vai ser atribuída, mas sugiro, desde já, Nude - Private Collection, Badalo Reserva 2021, Nalgas Premium ou Tudo ao Léu - Signature.

Ao ver a reportagem com os naturistas vindimadores na terra da fraternidade lembrei-me de uma visita da ministra da Agricultura ao Cartaxo, em Setembro do ano passado, durante a qual ela também andou a vindimar, mas vestida, o que talvez explique a sua fraca popularidade entre os agricultores e, quem sabe, até a derrota do presidente Pedro Magalhães Ribeiro nas eleições de domingo. Tivesse ele aparecido ao natural com a sua amiga governante e outro galo cantaria, digo eu.

Já agora, aproveito a eleição do socialista Fernando Paulo Ferreira para presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, município que até tem uma vinha e engarrafa vinho com a designação Encostas de Xira, para lhe pedir que inscreva no plano de actividades do próximo ano, uma vindima ao natural. Era uma prova de que, por ali, não há nada a esconder. Era ou não era?

Acompanhei a noite das eleições com entusiasmo. Para além da derrota do PS no Cartaxo, que já referi antes, a propósito da gente madura e nua a vindimar, fiquei atento à candidatura vintage do dinossauro António Rodrigues, em Torres Novas. Esse mesmo, o avô cantigas que, cheio de boas e caridosas intenções, queria libertar o actual presidente e seu ex-vice-presidente, Pedro Ferreira, das chatices do cargo.

Os eleitores não o compreenderam e ele deve ter ficado bem desanimado. A culpa é destes tempos modernos. Tal como acontece com Portugal e com os gloriosos Descobrimentos os feitos antigos não asseguram nenhum futuro radioso e quem quer bolota tem que trepar em vez de se agarrar ao passado como lapa gorda, que foi o que ele fez, tendo passado quase um ano a mostrar no Facebook fotos do século passado, altura em que ainda tinha bigode preto.

Ali ao lado, no Entroncamento. um outro tunante, chamado Jorge Faria, ia caindo do cavalo ao fim de oito anos. Foi por sessenta votos ou coisa que o valha, mas lá que abanou, abanou. Agora sem maioria absoluta e perante a perspectiva de passar do doce, “quero, posso e mando” para aquela treta do diálogo e da negociação, será que ele aguenta a azia ou muda de ninho?

Na Golegã perdemos Sua Excelência, o Excelentíssimo presidente Veiga Maltez que geria o concelho como se fosse a sua quinta. Bem que nos vão fazer falta as suas tiradas neo-clássicas a par das animadas actividades de policiamento campestre e de invenção de sinalização rodoviária, mas há que acreditar no seu regresso.

Em Almeirim os eleitores estão cada vez mais confiantes e quase sessenta por cento já nem vai votar. Será que no futuro os políticos vão auto-eleger-se ou os cargos serão atribuídos por concurso público? O que achas?

Um cumprimento desmascarado

Manuel Serra d’Aire

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