Opinião | 27-08-2022 10:01

Aeroporto em Santarém é notícia do 1 de Abril

Projecto para construção de um novo aeroporto na região de Santarém foi iniciado há cerca de dois anos e meio e poderá ser tornado público nos próximos dois meses

À margem

O MIRANTE publicou uma notícia na edição online, em reacção à notícia do jornal Expresso, depois de ouvirmos uma dezena de dirigentes políticos e do sector empresarial da região. Não citamos nomes nem instituições porque estávamos a fazer perguntas sobre uma notícia que não tinha fontes conhecidas. Curiosamente, quase todos os nossos interlocutores, à excepção de um ex-deputado, desvalorizaram a notícia e alguns até se riram dizendo que era matéria própria da época estival, para além de outras considerações que agora não interessa divulgar mas que estão subentendidas no texto.
O facto do projecto ser desconhecido dos principais agentes políticos e empresariais da região, assim como dos jornalistas, também diz bem do calafrio porque passam os que, como nós, vivem no interior, longe dos gabinetes de onde se sopram estas informações para os jornais.
Nada disto é novidade, e como diz o ditado bíblico, “não há nada de novo debaixo do sol”. Há por isso que assumir que subestimamos a notícia do Expresso do dia 19 de Agosto, assinada por dois jornalistas da casa, e que disso nos penitenciamos, embora sempre orgulhosos do trabalho de proximidade e de valorização da região onde trabalhamos e vivemos.
O facto de termos ido para o terreno e darmos conta do desconhecimento dos políticos e dos outros dirigentes sobre um projecto que pode mudar o rosto da região diz bem da importância do nosso trabalho. O orgulho ferido não mata. E o que não mata torna-nos mais fortes.
Se o aeroporto vier para Santarém vamos ter em quase meio século de democracia o primeiro acto revolucionário que certamente seria o orgulhoso de todos os capitães de Abril, principalmente daqueles como Salgueiro Maia que saíram de Santarém de peito feito e fizeram História sem derramarem sangue.
Direcção Editorial.

Novo aeroporto internacional de Lisboa pode ser construído na região de Santarém

Confirma-se a notícia avançada pelo jornal Expresso de que a região de Santarém pode ser o destino do novo aeroporto de Lisboa. O projecto foi iniciado há dois anos e meio e nasceu da necessidade de criar uma infra-estrutura aeroportuária regional que entretanto ganhou outra dimensão depois das polémicas com os projectos do futuro aeroporto de Lisboa para Alcochete e Montijo.

A notícia avançada pelo jornal Expresso na sexta-feira, 19 de Agosto, confirma-se: o novo aeroporto de Lisboa pode avançar na região de Santarém. O MIRANTE teve acesso a uma fonte próxima das empresas promotoras e investidores do novo aeroporto e quase tudo bate certo. O projecto foi iniciado há dois anos e meio, esteve até há pouco tempo no segredo dos seus autores para evitar ruídos e especulações, e nasceu da necessidade de dotar a região de um aeroporto longe da confusão dos aeroportos de Lisboa e Porto. Com os problemas que são conhecidos da nova localização do aeroporto de Lisboa em Alcochete e no Montijo, o projecto ganhou dimensão e está nesta altura em condições de se tornar um projecto para o território nacional.
Segundo a nossa fonte, o projecto para o aeroporto assume natureza regional podendo situar-se num ou mais concelhos do distrito de Santarém, mas perto da capital do distrito.
“Foi já depois de apresentado que se resolveu e pensou ir mais além. É certamente um território de baixa densidade populacional, onde a infra-estrutura não vai causar problemas ambientais. O estranho é que só nos últimos dois anos e meio se tenha olhado para este território do interior, que está a cerca de 40 minutos de Lisboa, onde a interioridade já é um sinal de pobreza e abandono. Por isso é que este projecto pode surpreender tudo e todos. Resolve um problema nacional e traz para o interior centro aquilo que mais lhe falta que é uma lógica de desenvolvimento, a exemplo do que acontece na grande maioria dos países da Europa desenvolvida”, disse a O MIRANTE fonte bem informada em reacção à notícia online que publicamos sobre o assunto depois do Expresso a ter divulgado em primeira mão.
Segundo O MIRANTE apurou o projecto poderá vir a público nos próximos dois meses depois dos promotores entenderem que estão reunidas as condições e ultrapassadas determinadas exigências impostas ao processo.
O projecto foi apresentado por uma grande empresa com capitais portugueses, que entretanto se aliou a outras de âmbito internacional que estão a colaborar e serão futuros parceiros. Alguns deles já estão ligados por outras obras e projectos, tanto em Portugal como no estrangeiro.
“Os promotores do projecto do novo aeroporto só estão focados na infra-estrutura aeroportuária. Não há qualquer envolvimento destas empresas em negócios imobiliários ou outros”, salientou ainda a fonte que O MIRANTE ouviu e que confidenciou ainda que a lógica do empreendimento é construir também um aeroporto amigo do ambiente, que represente e seja um exemplo do que deve ser a aviação do futuro ao nível dos combustíveis verdes e de todas as energias alternativas.

Santarém pode recuperar investimento ferroviário
O facto de Santarém ter ficado fora dos investimentos ferroviários pode mudar se o novo aeroporto vier para a região de Santarém. “A renovação da linha de caminho-de-ferro é mais importante para a região que o TGV. O que é importante para a região Centro é o reforço da linha ferroviária e as obras que estão prometidas há muito tempo. Devemos manter a actual linha nem que seja só numa lógica de apoiar o comércio de mercadorias, desde que a Infraestruturas de Portugal (IP) avance, como tem previsto, com as obras das passagens desniveladas superiores”, disse a O MIRANTE uma das fontes com quem também falamos ao longo destes últimos dias desde que foi conhecida a possibilidade de o novo aeroporto vir para Santarém.
Segundo O MIRANTE apurou, depois desta conversa, a IP já tem adjudicadas algumas destas travessias desniveladas superiores, na maior parte do território nacional, assim como expropriações em curso, para permitir mais segurança e evitar paragens dos comboios que originam atrasos e causam prejuízos à empresa.

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