Opinião | 21-11-2022 12:00

Rui Barreiro: desta vez foi apanhado

Rui Barreiro: desta vez foi apanhado
À Margem/Opinião
Rui Barreiro, ex-secretário de Estado das Florestas, foi condenado num processo disciplinar no Ministério da Agricultura

Se tiver tempo de escrever as minhas memórias ainda vou contar para ficar para a História como alguns políticos da região se comportaram no escurinho da vida política para se governarem.

Se tiver tempo de escrever as minhas memórias ainda vou contar para ficar para a História como alguns políticos da região se comportaram no escurinho da vida política para se governarem e fazerem negócios tentando calar aqueles que ousavam escrutinar o seu trabalho. Rui Barreiro fez bullying contra O MIRANTE durante todo o tempo em que o poder lhe caiu no colo. O seu problema foi ter encontrado uma parede mais larga que as suas costas.
Chegámos a ir a tribunal explicar alguns artigos ao procurador do Ministério Público com a assiduidade de quem estava em liberdade condicional e tinha que dar contas do significado de cada texto que escrevia. Parece que estou a exagerar, mas nunca escrevi nada que fosse tão verdadeiro. E não conto aqui a amizade deste “gajo” da política escalabitana com alguns protagonistas locais e regionais que ele alimentava na guerra contra O MIRANTE com a sua influência política e financeira.
Desta vez foi apanhado, mas sabe Deus quantas vezes os políticos são apanhados quando têm as costas largas e a protecção dos seus camaradinhas. JAE.

Tribunal confirma promiscuidade de Rui Barreiro

O ex-secretário de Estado das Florestas, Rui Barreiro, foi condenado a suspensão de funções num processo disciplinar do mesmo ministério onde teve funções de tutela no Governo de José Sócrates e onde ainda é funcionário como Inspector de Agricultura. O ex-presidente da Câmara de Santarém, tentou livrar-se do castigo, mas o Tribunal Administrativo veio agora confirmar a decisão do ministério.

Rui Barreiro, ex-secretário de Estado das Florestas num Governo de José Sócrates e antigo presidente da Câmara de Santarém, foi derrotado na tentativa de se livrar de um castigo do Ministério da Agricultura, onde é quadro superior, por negócios incompatíveis com as suas funções públicas. O Tribunal Administrativo de Leiria confirmou a decisão do ministério de o suspender de funções de inspector por ter andado a fazer candidaturas de obtenção de subsídios para agricultores que eram decididas por colegas seus. O político socialista, que mesmo estando debaixo de fogo foi vogal da empresa pública ForestGal, recorreu da decisão para o Tribunal Central Administrativo Sul.
A decisão do Tribunal Administrativo de Leiria demorou cerca de oito anos depois de o político ter interposto a acção por não concordar com a decisão do processo disciplinar do ministério, que data de 2014. O antigo autarca e governante tem beneficiado da lentidão dos tribunais administrativos e vai mantendo-se em funções sendo ao mesmo tempo dono da Afonso, Barreiro e Melo – Avaliações e Consultoria, Lda que passou a ser dominada pela sua família, depois do afastamento dos outros sócios, e que inclusivamente tem a sede na sua residência na Vila Mocho, na periferia de Santarém.
O processo disciplinar a Rui Barreiro foi levantado quando a ministra da Agricultura, Assunção Cristas, do Governo PSD/CDS liderado por Passos Coelho, deu pela situação após ter recebido queixas. Depois de deixar de ser secretário de Estado a empresa chegou a ter como sócio Rui Moreira, que tinha sido Director Regional de Agricultura e Pescas do Centro na altura em que Barreiro estava no Governo.
No ano de 2012 a empresa de Rui Barreiro fez várias candidaturas de jovens agricultores da zona Oeste ao programa Proder - Programa de Desenvolvimento Rural, no valor de centenas de milhares de euros, cujos projectos foram apoiados depois de avaliados pelos serviços do ministério onde é quadro superior. O instrutor do processo disciplinar concluiu que o político socialista desenvolveu actividades alegadamente incompatíveis com as funções públicas.
Rui Barreiro, licenciado em Engenharia Zootécnica, tem conseguido introduzir-se em alguns cargos públicos, mas não conseguiu ser presidente da Câmara de Santarém por mais de um mandato tendo perdido as eleições em 2005 e tendo-se sujeitado a novo enxovalho em 2017 com a maioria absoluta do PSD.
A vida de Rui Barreiro nos últimos 25 anos tem oscilado entre os negócios privados e os cargos públicos tendo no currículo uma boa colecção de tachos como diz a voz popular. Foi adjunto do Governador Civil de Santarém, secretário de Estado, director Regional de Agricultura do Alentejo, gestor do programa RURIS e vogal da ForestGal, mas não colecciona factos muito relevantes dos sítios por onde passou.
O político socialista protagonizou episódios que entraram no anedotário da época em que foi secretário de Estado como a da portaria que permitia a caça ao melro após 20 anos de proibição. A situação foi tão caricata que Rui Barreiro conseguiu o “feito” de ser contestado por ambientalistas e por caçadores que seriam os beneficiários da medida.

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