Opinião | 30-11-2022 21:00

O Pedro cristão, o milagre dos louvores com brinde e a ideia de uma comissão para investigar os crimes das reguadas na escola

Emails do outro mundo

Capacitado Serafim das Neves

Capacitado Serafim das Neves
A propósito da professora condenada a pagar uma multa e uma indemnização por ter puxado as orelhas a criancinhas mal comportadas dizes que talvez ainda vás a tempo de pedir umas bastas indemnizações por puxões de orelhas e reguadas que levaste na escola. É uma excelente ideia, até porque, se os teus processos tiverem o mesmo desfecho, vais ficar milionário com as indemnizações. Vais ficar tu e eu, e muitos outros que frequentaram a escola nesses tempos pré-históricos de finais do século passado e início deste século.
Num tempo de movimentos modernos como o ‘Me Too’, através do qual tantos artistas e candidatos a artistas, chegam ao estrelato ou saem do esquecimento, através de acusações de violações e apalpões ocorridos há décadas, porque não criar um ‘Me Too’ de vítimas de reguadas e puxões de orelhas de professores?
Se formos nós a criá-lo, provavelmente ninguém liga, mas imagina que uma famosa qualquer, vem agora a público acusar um prófe de a ter deitado sobre os joelhos e aplicado uma palmada no rabiosque por estar a portar-se mal na aula de Ciências ou de Matemática?
E se não for um ‘Me Too’ da reguada pode, pelo menos, ser criada uma comissão como a que investiga os crimes sexuais da igreja, para recolha de queixas de vítimas dos crimes das pauladas e de outras sevícias da escola pública. Quem, em criança, foi obrigado a estar uma hora com umas orelhas de burro em frente a uma turma, sabe bem do que estou a falar.
O percurso meteórico do ex-presidente do Cartaxo, Pedro Magalhães Ribeiro, no caminho que conduz aos gabinetes do Governo, nomeadamente ao do primeiro-ministro, onde é outra vez assessor, depois de ter sido assessor no anterior Governo, começou há muitos anos. E o louvor que recebeu de António Costa, em Março, devido à sua “lealdade, competência e elevado empenho” não foi o primeiro da sua carreira de frequentador de gabinetes governamentais.
Como te deves lembrar, em 2009, recebeu também um louvor do então Secretário de Estado Adjunto e da Justiça, José Conde Rodrigues, de quem era Adjunto, pela sua “competência técnica e a excelente capacidade de diálogo com os serviços”. E não foi só o louvor. Foi também um lugar de vogal executivo do conselho directivo do Instituto de Gestão Financeira e de Infra-estruturas da Justiça, I.P., onde ficou nos nove meses seguintes.
Mas Conde Rodrigues tinha sido presidente da Câmara do Cartaxo, cargo que ele ocupou mais tarde e os dois eram do mesmo partido e da mesma terra. Já António Costa não é do Cartaxo, nem nunca foi presidente da câmara na capital do vinho, embora por vezes possa beber um copo à refeição. E além disso é primeiro-ministro. O louvor dele vale mais e também deverá valer mais o lugar que Pedro Ribeiro irá ocupar num qualquer instituto público quando acabar as funções actuais e receber um novo louvor.
Quando Pedro Miguel Magalhães Ribeiro era presidente da Câmara do Cartaxo costumavam confundi-lo com o Pedro Miguel Ribeiro, presidente da Câmara de Almeirim. Terá sido por causa disso que colocou no seu perfil profissional do ‘Linked In’, logo a abrir, a informação: ‘Reside no Cartaxo, é cristão e pai do Francisco’! E terá sido essa a razão do seu sucesso? Será que teria tido os cargos e louvores que já teve se fosse, por exemplo, budista e pai do Manuel?
Um abraço religiosamente ateu
Manuel Serra d’Aire

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