Opinião | 04-12-2022 10:00

O futebol é um oásis no deserto e os camelos pagam a viagem

Emails do outro mundo

Assertivo Manuel Serra d’Aire

Assertivo Manuel Serra d’Aire
O mundo anda a girar ao contrário e não sei o que considere mais extraordinário: se a invasão da Ucrânia, se as manifestações de protesto na China, se um Mundial de Futebol no meio do deserto às portas do Inverno. Um tipo que tivesse estado em Marte durante um par de anos, que aterrasse e ligasse a TV para ver o telejornal iria julgar que estava a ver um qualquer documentário de ficção científica com cenários mais ou menos catastrofistas.
Felizmente, ainda há pessoas e instituições que com a sua actuação nos permitem ter esperança de que a ordem natural das coisas irá ser restabelecida e que a água dos rios continuará a correr da nascente para a foz. Falo, por exemplo, do apoio que os nossos mais altos dignitários políticos fazem questão de transmitir à selecção de futebol sempre que esta vai a uma fase final de uma grande competição internacional. É sempre um momento de pundonor e exaltação dos valores pátrios. Até porque o apoio dessas altas figuras não se fica por prosaicas mensagens nas redes sociais ou por declarações solenes no final de um dos conselhos de ministros ou de um plenário na Assembleia da República.
Não! Os nossos representantes fazem questão de ir ao local, não fossem os jogadores e treinadores duvidar do seu apoio incondicional e imprescindível para um bom desempenho desportivo. Eles têm que estar lá de carne e osso, sabe Deus com que sacrifícios pois é isso que lhes impõe o dever de ofício. E vão às mijinhas, um por jogo, para não enfastiarem os futebolistas, não vão as coisas correrem mal. Assim sempre vão variando de caras e de vozes. Hoje é um presidente, amanhã é um primeiro-ministro, depois um presidente da Assembleia da República e depois logo se vê…
Houve tempos em, que os jogadores da selecção tinham outro tipo de visitas nos estágios, mais excitantes e vistosas, mas isso já passou à História com a ditadura do politicamente correcto. Agora têm de gramar com os políticos e não digam que vão daqui. Num país em que tantas corporações, associações, instituições e cidadãos avulso se queixam da falta de apoios do Estado, a selecção nacional de futebol só tem é que agradecer o colinho dos nossos governantes. O futebol é mesmo um oásis no deserto e os camelos pagam a viagem.
O Governo anda a desmantelar paulatinamente o Ministério da Agricultura, assim como quem não quer a coisa para ver se não dá muito granel. Primeiro mandou as florestas para o Ministério do Ambiente; agora quer passar as atribuições das direcções regionais de agricultura para as CCDR (Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional) num estranho conceito de descentralização ao contrário. Não sei o que é que a ministra da Agricultura, a abrantina Maria do Céu Antunes, acha disso, se é que já deu pela coisa, mas eu, no lugar dela, punha-me a pau. É que, se se descuida, um dia destes chega ao gabinete do Terreiro do Paço e já nem cadeira e secretária tem porque foram transferidos para outro qualquer ministério. Quem a avisa seu amigo é, Maria do Céu.
Aceita um salamaleque do
Serafim das Neves

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