Opinião | 30-12-2022 10:00

Rufam os tambores

Quem renacionalizou uma empresa que já estava resolvida, à custa do dinheiro dos meus impostos, não merece qualquer atenção. É um personagem menor, pequenino, que não teria sucesso num normal país democrático.

Não, não ribombam porque se anuncia algo de importante. Não, não vou dissecar o caso de um ministro que se demitiu, porque, coitado, desconhecia que uma senhora, após ter ganho o euromilhões numa empresa pública do qual ele era responsável, foi depois nomeada por ele para presidente de uma outra empresa da mesma entidade empregadora, o Estado, da qual também ele era responsável. Ah, claro e que não sabia de nada...

Quem renacionalizou uma empresa que já estava resolvida, à custa do dinheiro dos meus impostos, não merece qualquer atenção. É um personagem menor, pequenino, que não teria sucesso num normal país democrático. Terá jeito para a politiquice, mas nenhum para gerir e governar. Alguns denominam-no de “doer”, mas certamente do disparate e da incompetência. Mas no Portugal da piolheira, onde o mérito não existe, nunca se sabe o que o futuro nos reserva...

Antes cogitar sobre mais este fim de ano, onde os dias se somaram, uns atrás dos outros, numa sucessão infindável de luz e de escuridão, sequência que nos vai moldando o corpo biológico ao planeta que nos viu nascer. “Lembra-te, ó homem, que és pó e em pó te hás-de tornar” (Gn 3, 19). Nesse instante do ocaso, a nossa fusão física com a mãe Terra será total. Nascemos para viver, mas começamos a morrer quando nascemos.

Os Natais, as Páscoas, as férias de Verão, as celebrações de fim de ano, assinalam, indelevelmente, o ritmo da nossa existência, como se fossem tambores que vão rufando o remar das nossas vidas. Remamos sincronicamente ao som daqueles tímpanos. É também a nossa vida que vai somando, que vai passando. Mas a esperança, essa, nunca pode desaparecer. É ela que nos faz viver e caminhar, fruindo cada época do ano como se fosse a primeira vez que a vivêssemos.

Chegamos, pois, ao fim de mais um ano e celebramos o advir do Ano Novo. Ensejo de propósitos para novos tempos, onde prometemos recomeços sempre adiados, sonhamos novas alegrias para esperanças antigas, desejamos vida em vez de morte. E ainda bem que assim é. É a vida que nos faz acordar todos os dias. Porém, egoisticamente, colocamos sempre a nossa gente na vanguarda das nossas preocupações e orações, não obstante também nunca esquecermos todos os outros.

Só que o mundo imediato é o meu lar, perpassa pela minha família e amigos e por todos aqueles que mais me acompanham nesta jornada efémera. Daí que os meus propósitos para o ano de 2023 sejam tão iguais aos de milhões de pessoas aqui em Portugal e no mundo inteiro: Fé - dimensão essencial para mim - saúde, esperança e paz para os meus e para toda a humanidade.

Contudo, raramente os nossos propósitos para o Ano Novo ficam apenas pelo nosso círculo íntimo e por generalidades globais bem-intencionadas. Também tenho alguns anseios precisos, quase que irracionais, mas que gostaria que se concretizassem. São, no fundo, dimensões quiméricas que persuadiriam até os mais cépticos: o fim da TAP - sim o fim, “kaput” -, um corajoso Presidente da República, um governo capaz, grandes investimentos em Portugal - ai se a Autoeuropa vai embora...-, grandes investimentos em Santarém - para lá do aeroporto, claro -, um parque verde/desportivo em Santarém, o fim das obras no mercado municipal, um museu municipal no Teatro Rosa Damasceno, o desvio da linha do Norte, enfim...

Mas rufam os tambores, mas pela vida. Vamos entrar, uma vez mais, num Ano Novo. Vamos abrir espumantes e aproveitar a ocasião para celebrar a vida. Não é uma repetição. É antes mais uma ocasião para renascermos e olhar o futuro de frente.

Um grande Ano 2023 para todos!

P.N.Pimenta Braz

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias

    Edição Semanal

    Edição nº 1596
    11-01-2023
    Capa Vale Tejo
    Edição nº 1596
    25-01-2023
    Capa Médio Tejo